Determinantes sociais, estigma e medicalização do sofrimento: desafios do cuidado farmacêutico em saúde mental na atenção primária do Distrito Federal

CIAIQ2026 - 337258
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Resumo

Introdução (Contexto/Justificativa): O cuidado farmacêutico em saúde mental na Atenção Primária à Saúde (APS) enfrenta desafios como estigma social, desigualdades estruturais e a medicalização do sofrimento. Embora a Rede de Atenção Psicossocial proponha um modelo de cuidado integral e comunitário, barreiras socioculturais ainda dificultam a acessibilidade aos serviços e a adesão terapêutica. Nesse contexto, a investigação qualitativa mostra-se fundamental para compreender as percepções e experiências dos profissionais que atuam nesse cenário complexo. Objetivos e Métodos: Este estudo qualitativo investigou as percepções de farmacêuticos da APS do Distrito Federal (DF) acerca do estigma, da medicalização e dos determinantes sociais na saúde mental. Utilizou-se a Técnica de Grupo Nominal (TGN), contemplando as etapas de geração individual de ideias, discussão coletiva e votação para hierarquização. Os dados foram gravados, transcritos e submetidos à análise temática de conteúdo segundo Bardin. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade de Brasília (Parecer nº 6.817.982). Resultados: Participaram oito profissionais de referência farmacêutica distrital, cujas contribuições permitiram identificar cinco categorias temáticas de debate: 1) persistência do estigma, manifestada na autocensura dos pacientes e no preconceito entre profissionais; 2) medicalização do sofrimento, com uso de psicofármacos como resposta rápida e, muitas vezes, exclusiva diante da escassez de abordagens psicossociais; 3) influência dos determinantes sociais na etiologia e no controle das condições de saúde, incluindo vulnerabilidade socioeconômica, violência e exclusão social; 4) desafios da prática profissional, como lacunas formativas, insegurança diante de situações de crise e sobrecarga de trabalho; e 5) potencial do cuidado humanizado, pautado no vínculo, na escuta qualificada e no compromisso ético com a assistência em saúde. Conclusões: As percepções dos participantes revelam que, apesar de desafios como a sobrecarga de trabalho e fragilidades na formação profissional, existe um caminho promissor para o desenvolvimento do cuidado farmacêutico humanizado em saúde mental na APS-DF. 

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Instituições
  • 1 Universidade de Brasília
  • 2 Universidade de Brasília | (Universidade de Brasília)
Campos de aplicação
  • 2 - Investigação em Saúde
Palavras-chave
Saúde Mental
Atenção Primária à Saúde
Determinantes Sociais da Saúde
Cuidado farmacêutico
Pesquisa Qualitativa