Sexualização de Mulheres Negras no Jazz Funk

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CCD 2026 - SUBMISSÃO POSTER
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Resumo

Este estudo investiga como os discursos históricos de sexualização e racialização das mulheres negras atravessam suas representações e performances corporais no jazz funk, analisando as tensões entre reprodução de estereótipos, visibilidade artística e possibilidades de autodefinição. Trata-se de uma pesquisa bibliográfica de abordagem qualitativa, fundamentada nas contribuições de Michel Foucault acerca de discurso e arquivo, compreendido como o conjunto de enunciados que estruturam sentidos e relações de poder em determinado contexto histórico. O levantamento bibliográfico foi realizado entre setembro de 2025 e agosto de 2026 nas plataformas SciELO, Geledés, SBU-Unicamp e Google Acadêmico, utilizando descritores relacionados à sexualização da mulher negra, feminismo negro, interseccionalidade, objetificação e jazz funk. Os resultados evidenciam que a hipersexualização da mulher negra possui raízes no período colonial, quando seus corpos foram associados à servidão e à disponibilidade sexual, sendo posteriormente reforçados por estereótipos como a “mulata”, a “Jezebel” e a “Hoochie”, descritos por autoras como Lélia Gonzalez e Patricia Hill Collins. Essas representações operam como “imagens de controle”, legitimando desigualdades raciais e de gênero e sustentando processos de desumanização que persistem na contemporaneidade. No contexto do jazz funk, estilo marcado pela sensualidade, espetacularização do corpo e circulação midiática, observou-se uma relação ambígua: ao mesmo tempo em que a modalidade pode reproduzir imaginários racistas e sexistas que objetificam corpos negros femininos, também pode constituir um espaço de expressão, resistência e empoderamento. Conclui-se que o jazz funk ocupa uma posição paradoxal entre a lógica mercadológica da visibilidade e a possibilidade de afirmação identitária, revelando disputas simbólicas sobre o significado dos corpos negros femininos e destacando a importância da autodefinição como estratégia de enfrentamento às formas históricas de opressão. 

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Instituições
  • 1 Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (FEF-UNICAMP), Campinas, Brasil
Eixo Temático
  • 3 - Esporte e sociedade
Palavras-chave
Mulheres Negras
Hipersexualização
Jazz Funk
Feminismo Negro
Interseccionalidade