"TANTAS MORTES, A CADAG SEGUNDO, A CADA MOMENTO": EXPERIÊNCIAS DE SOFRIMENTO DE PACIENTES, FAMILIARES E TRABALHADORES DA SAÚDE DIANTE DAS MORTES NA PANDEMIA DE COVID-19

Vol 3, 2025 - 225766
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Resumo

Apresentação/Introdução A crise global desencadeada pela pandemia de covid-19, expôs como a desinformação sobre uma nova doença, o medo da morte e a gestão do sofrimento, são moldados por dinâmicas sociais, culturais e institucionais. Produziu um dos mais intensos ciclos de morte coletiva da história recente, um evento crítico, que rompeu com a rotina, trazendo a necessidade de encontrar maneiras de gerir o sofrimento. Objetivos Compreender as experiências de sofrimento dos pacientes, seus familiares e trabalhadores da saúde durante a pandemia de covid-19. Metodologia Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória. A pesquisa foi realizada no Hospital Universitário da UFMA, tendo como fechamento amostral 26 trabalhadores da saúde, 12 pacientes vindos de Manaus e seus familiares (10). Dois instrumentos foram utilizados para a coleta de dados: questionário estruturado e um roteiro de entrevista semiestruturado, com questões relacionadas às experiências de cuidado e sofrimento. A análise das entrevistas foi feita com base nos conceitos fenomenológicos de sofrimento, emoção, tempo e silêncio trabalhados por Venna Das. A pesquisa foi aprovada pelo CEP do HU-UFMA e aos entrevistados foram atribuídos nomes fictícios. Resultados Dos pacientes entrevistados, seis eram homens e seis mulheres, todos residentes na zona urbana de Manaus. A maior parte dos familiares eram mulheres. 17 dos trabalhadores eram mulheres. A análise resultou na seguinte estruturação do artigo: “Tantas mortes a cada momento, a cada segundo, a cada minuto”: sofrimento e emoções; e “A gente vai seguir”: maneiras para continuar vivendo. O elevado número de mortes em Manaus, provocou emoções de medo e sofrimento vivenciadas por pacientes e familiares. Os trabalhadores, que a despeito de terem um treinamento para lidar com a morte, se sentiram despreparados. Estratégias coletivas reforçaram o valor do apoio mútuo e da memória compartilhada. Conclusões/Considerações Após cinco anos do início da pandemia de covid-19, as formas de controle impostas pelas instituições sociais não são mais na forma prescrita como os protocolos sanitários; mas na forma do silêncio. Lançar luz sobre uma dimensão da pandemia que insiste em ser esquecida, mas que permanece viva no corpo e na fala daqueles que tiveram experiências de sofrimento frente às mortes é compreender que as causas do sofrimento são coletivas e estruturais.

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