GESTA (R) NAS RUAS: CORPOS QUE GERAM, VIDAS QUE RESISTEM

Vol 3, 2025 - 221220
Comunicação Oral Curta
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Resumo

Apresentação/Introdução A maternidade em situação de rua expõe processos de estigmatização que patologizam a pobreza, violências estruturais materializadas na precarização do cuidado, e a contradição fundamental entre o direito à cidade e sua apropriação desigual. Para essas mulheres, a maternidade se desdobra em uma experiência onde seus corpos se tornam mapas de abandono institucional e espaços de insurgência cotidiana. Objetivos Analisar os sentidos e vivências da maternidade de mulheres em situação de rua no município do Rio de Janeiro, explorando expectativas e identificando os desafios e estratégias para garantir o pleno exercício desse direito fundamental. Metodologia Trata-se de um estudo exploratório de cunho qualitativo descritivo realizado no município do Rio de Janeiro. Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com mulheres que vivenciaram a gestação nas ruas da cidade, nos últimos quatro anos, selecionadas por uma amostra de intencionalidade, por meio do reconhecimento prévio dessas mulheres pelas equipes de Consultório na Rua (eCR). A imersão no campo ocorreu por meio do acompanhamento in loco das atividades da eCR, permitindo uma aproximação contextualizada com o cenário estudado, enriquecendo a análise dos dados coletados. Os dados foram submetidos à análise temática de conteúdo. Resultados O estudo concluiu que as mulheres com trajetória de rua enfrentam desafios muito complexos. A análise destaca quatro dimensões centrais das experiências analisadas: Maternidades Plurais como oportunidade de reconstrução identitária ou fonte de angústia; Estratégias de sobrevivência e resistência; Barreiras no acesso ao cuidado integral em saúde e a Violência de Gênero, que se manifesta em um cuidado desumanizado, no descaso institucional e em diversas outras violências que as atravessam. Diante dessas realidades, a pesquisa ressalta o papel fundamental das eCR na promoção de cuidados adequados e defesa de políticas intersetoriais para garantir direitos fundamentais. Conclusões/Considerações Mulheres que vivenciam a gravidez nas ruas enfrentam, além do estigma e da invisibilidade, o medo constante da perda dos filhos.A ausência de políticas integradas de saúde, moradia e inclusão produtiva as mantém num ciclo perverso de exclusão.Esta realidade demanda intervenções que garantam direitos básicos e proteção social efetiva, substituindo a criminalização da pobreza pelo seu reconhecimento como sujeitos de direitos, garantindo dignidade.

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Eixo Temático
  • Eixo 32 - Saúde Global, Direitos Humanos e Vulnerabilidades