CORPOS QUE SE ESCUTAM: A EXPERIÊNCIA DE UMA MULHER QUE CUIDA DE OUTRAS NO CONTEXTO DA SAÚDE INDÍGENA

Vol 3, 2025 - 223050
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Resumo

Período de Realização Este trabalho narra uma experiência profissional que vem sendo construída desde janeiro de 2023. Objeto da experiência Construção de um grupo de indígenas mulheres na Taba Anacé em Caucaia/CE enquanto profissional do Núcleo Ampliado de Saúde Indígena (NASI). Objetivos Descrever a experiência como mulher e psicóloga enquanto facilitadora do cuidado em saúde mental a partir da criação de um espaço de fala, escuta fortalecimento e elaboração do sofrimento experienciado por indígenas mulheres da Taba Anacé. Descrição da experiência Os encontros utilizam além da oralidade, expressões artísticas como desenho, bordado, pintura e colagem. As narrativas compõem um campo de análise que respeita suas subjetividades e contribui para a construção de práticas de cuidado integradas, afetivas e territorializadas no campo da saúde coletiva. Resultados A experiência revela como os determinantes sociais e territoriais impactam no adoecimento psíquico e como a construção de espaços comunitários de fala e memória pode ser estratégia de promoção da saúde. Nos encontros, emergiram narrativas sobre perdas territoriais, experiências de racismo, violências e práticas espirituais. A escuta coletiva tornou-se instrumento de ressignificação do sofrimento, fortalecendo o sentimento de pertencimento, a identidade étnica e os laços de solidariedade. Aprendizado e análise crítica Como mulher que cuida de outras mulheres, reconheço as marcas da mesma lógica patriarcal que silencia nossos corpos e vozes. Essa experiência compartilhada me aproxima das dores e resistências que as atravessam e me permite, junto a elas, mergulhar no que é ancestral em mim. A escuta coletiva torna-se, mais que um dispositivo terapêutico: é um território de cura, onde se constroem práticas de cuidado enraizadas na coletividade, na ancestralidade e na sabedoria encarnada em nossos corpos-memória. Conclusões e/ou Recomendações A experiência aponta que o cuidado em saúde coletiva com povos indígenas deve considerar os determinantes históricos, sociais e territoriais do sofrimento. A escuta sensível torna-se também ato político de reparação e dignidade. O grupo se afirma como território de reexistência, onde o cuidado não se separa do pertencimento e da luta por dignidade.

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Eixo Temático
  • Eixo 08 - Decolonialidade em Saúde, Interseccionalidades, Racismos e Branquitude