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Diversas pesquisas indicam que unidades básicas de saúde (UBS) são capazes de resolver cerca de 85% dos problemas de saúde da população. Para as demais demandas, é necessário o papel de retaguarda da Atenção Ambulatorial Secundária (AASE) - responsável pelo conjunto de ações e serviços especializados de apoio diagnóstico e terapêutico em nível ambulatorial - e/ou do atendimento no nível terciário. O presente trabalho tem como objetivo relatar a experiência de acompanhamento dos encaminhamentos realizados em uma Unidade Básica de Saúde do DF, via sistemas de regulação (SISREG e SISCON), para outros níveis de atenção. Os resultados indicam que em 2019 a UBS teve um alto percentual de resolutividade (85%) e que se manteve resolutiva em 2020 (91%), mesmo durante a pandemia de COVID-19. Todavia, uma das grandes dificuldades na qualificação do cuidado tem sido a longa demora para que as solicitações sejam analisadas pela Central de Regulação e devolvidas, quando ocorre alguma intercorrência. Por fim, destaca-se a importância da educação continuada para evitar falhas no processo de encaminhamento para outros níveis de atenção à saúde, promovendo o cuidado de qualidade e no prazo oportuno.
De acordo com o DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA (2000), ao longo dos anos, diversas pesquisas indicaram que unidades básicas de saúde (UBS) são capazes de resolver, com qualidade, cerca de 85% dos problemas de saúde da população. As demais demandas, desse modo, necessitam do encaminhamento para ambulatórios de especialidades ou para atendimento hospitalar. Assim, uma Atenção Primária à Saúde (APS) forte necessita de uma retaguarda igualmente robusta, a fim de favorecer maior qualificação do cuidado. A Atenção Ambulatorial Secundária (AASE) desempenha esse papel, configurando-se como o conjunto de ações e serviços especializados de apoio diagnóstico e terapêutico em nível ambulatorial, com densidade tecnológica intermediária entre a atenção primária e a terciária. No Distrito Federal, foi apenas com a expansão de cobertura da APS no modelo de eSF, com o CONVERTE APS, que a SES/DF iniciou a estruturação da AASE. Organizou-se, desse modo, o Complexo Regulador em Saúde do DF e suas Centrais de Regulação para a efetivação de um processo regulatório de acesso baseado no modelo de regionalização do DF e na visão ampla dos serviços de saúde disponíveis (GUEDES ET. AL, 2019).
O presente trabalho tem como objetivo o relato de experiência do acompanhamento dos encaminhamentos realizados em uma Unidade Básica de Saúde do DF, via sistemas de regulação, para outros níveis de atenção.
Inicialmente, foi realizado um levantamento de todos as solicitações devolvidas no primeiro semestre de 2020 para a UBS3 do Paranoá pela Central de Regulação. Esse levantamento foi realizado através do SISREG, sistema adotado pela Secretaria de Saúde do DF para a regulação de especialidades. Após o levantamento dos dados via SISREG, esses foram organizados em uma planilha de excel, divididos por mês e por eSF responsável pelo acompanhamento do caso. Também foram coletados, via sistemas SISREG e SISCON, dados sobre a quantidade de solicitações de encaminhamentos realizados pela UBS nos anos de 2019 e 2020. Por fim, utilizou-se também o sistema e-SUS para extração de dados sobre a quantidade de atendimentos realizados na UBS em 2019 e 2020. Foram analisadas informações sobre a quantidade de encaminhamentos realizados pela UBS, quantidade de devoluções por equipe e taxa de resolutividade da unidade (percentual de atendimentos que não geraram encaminhamentos para outro nível de atenção). Resultados e Discussão No ano de 2019 a UBS realizou 27.593 atendimentos e 4.191 encaminhamentos, apresentando uma taxa de resolutividade de 85%. Já no primeiro semestre de 2020, a unidade realizou 14.255 atendimentos e 1.260 encaminhamentos, com uma taxa de resolutividade de 91%. Observa-se, pela análise desses dados, que a UBS 03 do Paranoá tem apresentado uma alta resolutividade das demandas que lhe são apresentadas, sendo até mesmo superior ao apresentado na literatura, como no ano de 2020 (DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA, 2000). Já com relação às solicitações devolvidas no primeiro semestre de 2020, registrou-se o total de 225 devoluções, relativas a pedidos realizados em 2019 e 2020. As especialidades com maior quantidade de devoluções foram Consulta em Oftalmologia (48), Ressonância Magnética (24), Consulta em Cirurgia Vascular (24), Neurologia Adulto e Pediátrica (19) e Ecografia Bi-Dimensional com Doppler Adulto (11). Outras especialidades registraram menos de 10 devoluções cada. É possível notar que são, de fato, especialidades da AASE, que não estão inseridas na APS, mas que são extremamente necessárias para apoio diagnóstico e terapêutico; e qualificação do atendimento. (GUEDES ET. AL, 2019)
A Atenção Primária à Saúde no DF tem consolidado, constantemente, o seu papel como coordenadora do cuidado e, no cenário atual de pandemia, tem mostrado ainda mais a sua efetividade, como no caso da unidade analisada, que aumentou a sua taxa de resolutividade. Entretanto, como destacado na literatura, a APS necessita de uma retaguarda robusta para promover o cuidado mais qualificado possível (GUEDES ET. AL, 2019). Uma das grandes dificuldades na qualificação do cuidado tem sido, assim, a longa demora para que as solicitações sejam analisadas pela Central de Regulação e devolvidas, quando ocorre alguma intercorrência. A gestão local tem atuado para que os profissionais se engajem na resolução das pendências das devoluções o mais rápido possível, todavia, em decorrência da ainda recente implementação do sistema na SES/DF, mostram-se necessárias ações de educação continuada acerca dos critérios e protocolos já existentes para realização de encaminhamentos mais efetivos.
1. DEPARTAMENTO DE ATENÇÃO BÁSICA. Programa Saúde da Família. Rev. Saúde Pública, São Paulo , v. 34, n. 3, p. 316-319, June 2000 . 2. GUEDES, Bruno de Almeida Pessanha et al . A organização da atenção ambulatorial secundária na SESDF. Ciênc. saúde coletiva, Rio de Janeiro , v. 24, n. 6, p. 2125-2134, June 2019 .
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