Reflexões antropológicas de uma estudante de medicina acerca do WONCA Iberoamérica (2017)
Introdução. Chegar a um congresso de medicina de família e comunidade (MFC) como estudante de medicina é desafiante por criar novos potenciais e dimensões, incentivando a leitura reflexiva sobre o mundo. Objetivo Compartilhar reflexões antropológicas de uma aluna de medicina sobre o 5º Congresso Iberoamericano de MFC. Percurso Metodológico O presente relato de experiência foi fruto das observações e vivências experimentados durante os 4 dias de atividades do congresso, bem como das reflexões, afetos e potências mobilizados. Discussão A ciência ocidental começa o século XXI com a necessidade de superar a si própria: superar as tendências humanas que resultam num conhecimento parcial. O homem busca um ponto objetivo em que possa driblar suas ilusões e voltar a produzir ciência, entendendo-se num contexto cultural, histórico e psíquico. As barreiras de uma realidade bidimensional começam a ser quebradas, e a realidade tridimensional vem à tona: a ciência começa a associar ao “pesquisador” e ao “objeto de estudo” a “psique do homem”; a aversão e avidez desencadeiam doenças emocionais e físicas degradantes, tornando-se imperativo o caminho do meio. A compreensão de como a língua estrutura a realidade se potencializa com o intercambio de saberes através das trocas culturais. Ao exotizar o que está naturalizado na “nossa maneira de viver”, conceitos morais e velhos paradigmas são quebrados, o autoconhecimento é ampliado, permitindo na autoaceitação a aceitação do outro. Tais aspectos refletem em como o sentimento de empatia tem evoluído e ajudado a desenvolver uma medicina em que o “bem” que se deseja dar ao outro é um “bem” universal – que não está condicionado à visão particular do observador. Conclusões O congresso representa uma oportunidade da América Latina revisar as abordagens médicas em amplos aspectos, aprender com as múltiplas medicinas, com as múltiplas pessoas e, assim, documentar a sua realidade e sua história.