81366

Os “Processos de Apropriação da Realidade” na formação médica: relato de experiência

Favoritar este trabalho

Introdução: “Processos de Apropriação da Realidade” (PAR) são módulos obrigatórios do primeiro ciclo (Bacharelado Interdisciplinar em Saúde) do curso de Medicina da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, que objetivam a experiência do reconhecimento, pelos graduandos, de determinantes e condicionantes do processo saúde-adoecimento da população, superando a interpretação reducionista do espaço comunitário apenas como local de desenvolvimento de práticas e habilidades médicas. Objetivo: Potencializar o compromisso sócio-ético-humanístico dos graduandos a partir do ensino-pesquisa-extensão, no conhecimento de diferentes realidades através da interdisciplinaridade e contexto de saúde de pessoas e famílias numa comunidade. Metodologia: Durante 05 semestres (PAR I-V), ocorreram atividades de aproximação entre discentes, docentes orientadores e comunidade URBIS 1, situada em Santo Antônio de Jesus/BA. As atividades foram: 1) territorialização; 2) criação de vínculos com moradores a partir de conversas/trocas de experiências; 3) realização de pesquisa sobre a situação de saúde local; 4) educação em saúde através de demandas dos moradores e apresentação da pesquisa realizada pelos discentes e; 5) integração e educação/aprendizagem no bairro e em Unidade de Saúde da Família. Resultados: As vivências no PAR aproximaram os discentes da realidade comunitária de forma que os estudantes protagonizassem parte da própria formação ao fomentar o trabalho em grupo e a articulação de saberes da saúde, humanidades e outras ciências com conhecimentos e demandas dos moradores da comunidade. Os temas das atividades foram sempre escolhidos pelas demandas dos moradores, notando-se prevalência de discussões sobre influência de hábitos, da nutrição, do envelhecimento, da sociabilidade e questões sexuais na qualidade de vida de indivíduos com Diabetes e Hipertensão. Conclusão: Os PARs potencializam a formação em saúde, possibilitando identificar influências multifatoriais no adoecimento e reconhecer a importância da articulação de saberes para o entendimento biopsicossocial e para o cuidado dos indivíduos numa uma ótica diferente da perspectiva intervencionista hegemônica de formação em saúde.