O matriciamento sob o olhar do médico de família e comunidade
O matriciamento surgiu como proposta de integração da saúde mental no contexto da saúde comunitária, na tentativa de estreitar laços e ações entre equipes de saúde da família (ESF) e suas referências de apoio setoriais e intersetoriais. A ESF Lagamar 1 da unidade atenção primária à saúde Irmã Hercília - Fortaleza-CE desenvolve apoio matricial em saúde mental há 3 anos. Objetiva-se compartilhar a experiência de médicos de família com o processo de matriciamento em saúde mental na atenção primária. O matriciamento é realizado pela equipe há 3 anos, sendo beneficiados 12 pacientes. As reuniões quinzenais, envolvendo equipe de referência, composta pela médica de família, 2 residentes de medicina de família e comunidade e a equipe de saúde mental, com 2 residentes de psiquiatria, havendo, eventualmente, realização de visitas domiciliares com equipe multiprofissional. Selecionam-se casos baseando-se em complexidade da clínica, contexto sociofamiliar e dificuldade de manejo. Há consulta com médico da equipe para anamnese psiquiátrica detalhada e identificação dos problemas a serem abordados para posterior discussão. Reavaliam-se os casos para manutenção ou adequação do plano terapêutico. Mensalmente ocorrem discussões teóricas sobre temas em psiquiatria aplicados à atenção primária. Observou-se, no processo de matriciamento, além do empoderamento da equipe no manejo de casos complexos em saúde mental, maior conhecimento do paciente no seu contexto de saúde e de doença, facilitando manejo e formulação de planos terapêuticos individualizados e conectados com a realidade de cada paciente. Apesar dos grandes avanços feitos, existem grandes obstáculos a serem transpostos, como a precariedade das políticas públicas para o acesso a abordagens terapêuticas farmacológicas e não farmacológicas, bem como a escassez de profissionais que conheçam a ferramenta do matriciamento e reconheçam sua importância dentro do contexto do processo de trabalho na atenção primária.