Médico de família e populações vulneráveis: violência contra a mulher
Introdução: Violência, segundo Organização Mundial da Saúde, consiste no uso intencional de força contra outras pessoas resultando em ferimento, morte, danos psicológicos, deficiência de desenvolvimento e privação. Objetivo: Ponderar fatores associados à violência psicológica, física e sexual sofrida por mulheres atendidas por serviços de atenção primária. Metodologia: Foram feitos levantamentos bibliográficos em bancos de dados: Scielo, PubMed e LILACS. Apenas artigos na língua portuguesa e inglesa foram escolhidos, publicados entre 2014 a 2016, utilizando como descritores em português: populações vulneráveis e violência doméstica. Discussão: A Violência contra a mulher possui o parceiro como principal perpetrador e resulta de rede complexa de associações envolvendo interações individuais, relacionais, socioculturais e ambientais. A cultura de subordinação da mulher ao homem, comum no Brasil, contribui para surgimento do abuso físico, verbal e emocional contra a mulher em ambiente doméstico. A violência psicológica está associada à educação, estado civil, história materna de violência, violência sexual na infância e uso de drogas. Já a violência física relaciona-se com idade, educação, estado civil e historia materna de violência; violência sexual ocorre principalmente com mulheres de baixa renda e vítimas de violência sexual na infância. Inicialmente, o agressor não lança mão de violência física, e sim restrição da liberdade individual da vítima, constrangimento e humilhação. A violência acarreta graves danos à saúde, bem-estar físico, sexual, emocional, mental e social do indivíduo e família. As Estratégias de Saúde da Família (ESF) são essenciais para rastreamento de casos de violência doméstica por serem responsáveis pelo acolhimento e orientação de mulheres nessa situação, no entanto, mulheres e profissionais de saúde apresentam dificuldades em tratar de violência. Conclusão: É necessária capacitação da equipe ESF através da implementação de protocolos que visem um atendimento integral, interdisciplinar, humanizado e de qualidade à mulher vitimada.