Caminhos para análise do consumo de benzodiazepínicos em APS
Introdução: Estima-se que no mundo 50 milhões de pessoas usam diariamente benzodiazepínicos. O Brasil está entre os 5 maiores consumidores. Os mais prescritos são clonazepam, diazepam e alprazolam. O uso abusivo causa tontura, zumbido, diminuição da atividade psicomotora e da memória, uso acima de 4-6 semanas pode levar à dependência. Objetivo: Realizar estudo do consumo de benzodiazepínicos na Unidade de Saúde da Família de Praia do Suá (USFPS). Metodologia: É um estudo transversal dos registros de consumo de benzodiazepínicos numa USFPS. A SEMUS/Vitória desenvolveu com recursos próprios um software de gestão (REDE BEM ESTAR), que integra serviços próprios e prestadores. Entre as funcionalidade encontram-se prontuários eletrônicos, organizados por indivíduo, família, microárea e equipe. A assistência farmacêutica usa o mesmo software. A área de abrangência da USFPS inclui 15 microáreas próximo de 3 mil famílias e 12 mil pessoas. No estudo foi incluído quem utilizou a Farmácia da USFPS entre 01/01/2017 a 21/07/2017, para aviamento de benzodiazepínicos. No total foram avaliados os registros de 357 pessoas (3% dos cadastrados). 78,43% usam clonazepam, 11,7 % diazepam, 3,9% midazolam. 5,8 % consomem mais de um destes. 78,4 % são mulheres e 21,5% homens. Seis famílias possuem mais de 1 membro usando benzodiazepínico. Quase 50% estão acima de 60 anos. Discussão: Os dois benzodiazepínicos mais consumidos são ansiolíticos e em terceiro lugar um hipnótico, portanto o uso de “medicamentos para dormir”, demonstra provável equívoco na indicação. Metade tem mais de 60 anos, é essencial relacionar motivos de consulta com efeitos colaterais destes medicamentos. Conclusão: Estes levantamentos podem ser realizados rapidamente com uma simples consulta aos blocos de prescrição B. Caso exista um sistema informatizado da dispensação, pode-se mapear o consumo por microárea e família, organizando melhor ações de educação e intervenções para retirada planejada da medicação.