Avaliação qualitativa/quantitativa das características sociais/clínicas de motoristas de ônibus
Introdução: A maioria da população usa o ônibus como transporte de massa. Problemas de saúde nos motoristas repercutem sobre terceiros. Objetivo: Descrever as condições de trabalho e suas consequências na saúde desses trabalhadores. Método: método quantitativo: Corte transverso de 519 motoristas(prevalência) Qualitativo: Patton em 519 motoristas- entrevistas com pessoas-chaves, trabalho de campo, documentos. Resultado: Quantitativo> Idade média foi de 41,3 anos, com 36,5%(190/519) com >3 fatores de risco cardiovascular, prevalência de hipertensão de 20,8%, diabetes de 7,9%, hipercolesterolemia de 64,1, Obesidade 43,3%, abuso de álcool (CAGE) de 5,9%, p. Qualitativa: Seleção para o trabalho em relação a HAS e diabetes; grande número de viagens (horas trabalhadas dependentes do trânsito), parte do salário composta por horas extras, em temperatura ambiente elevada (clima tropical e motor), com poluição sonora e atmosférica, trânsito congestionado e violência (assaltos, acidentes). Sem lugar para necessidades básicas (ingerem pouca água, uso de alimentos calóricos com poucas fibras). Obrigados a morar perto da empresa; relacionamentos extraconjugais frequentes; uso abusivo de bebida alcoólica e tabaco e pequeno uso de drogas ilegais; sem controle do seu processo de trabalho; utilização HAS para abonar falta; medo que descubram suas doenças ou os coloquem em benefício (perda das horas extras). Quando de acidente ou roubo dos ônibus, arcam com as despesas. Discussão: Trabalhoso penoso e estressante, uso de bebida e condições de trabalho adversas com risco para sua saúde e saúde de terceiros. Há grande desestruturação social e atrito familiar devido ao trabalho – mudanças frequentes de trabalho e, de local de moradia. Abuso de álcool provavelmente subestimada. Conclusão: Condições e exigências do trabalho o tornam penoso, estressante e indutor de doenças. Há abuso de álcool e risco para terceiros. Seleções para contratação não evitam doenças. Necessidade de intervenção na organização do trabalho para garantir a proteção dos motoristas e terceiros.