Hormonioterapia em mulher trans na Atenção Primária à Saúde

Vol 2, 2019 - 113690
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Resumo

INTRODUÇÃO: CAS, sexo biológico masculino, negro, 48 anos, portador do vírus HIV, em terapia antirretroviral. Procurou a Clínica da Família (CF) manifestando vontade pela mudança de sexo. Realizado aconselhamento sobre a hormonioterapia e agendado com psicóloga do núcleo de apoio a saúde da família. Colhidos exames laboratoriais (27/7/18: PROLACTINA 21,63/CREATININA 1,3/ESTRADIOL 120,5/TESTOSTERONA 27,4/COLESTEROL LDL 65) e encaminhado ao serviço secundário no ambulatório transexualidade. Devido a demora para agendamento no serviço especializado, foi pactuado iniciar a terapia hormonal na CF. Prescrito espironolactona para uso contínuo e hormônio conjugado injetável quinzenalmente. Apresentou hipernatremia após 3 meses. Associado enalapril 5mg/dia ao uso da espironolactona para ajuste do potássio. OBJETIVO: estimular os profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) a realizarem terapia feminizante com as medicações disponíveis dentro do contexto da APS. METODOLOGIA: registros no prontuário eletrônico e busca bibliográfica com palavras chave ("hormonioterapia" e "transexualidade"). RESULTADOS E DISCUSSÃO: o objetivo da terapia feminizante é o desenvolvimento de características sexuais secundárias femininas e supressão das masculinas. Primeiramente, necessita-se de esclarecimentos sobre os efeitos gerais esperados e a não reversão destes, e os efeitos colaterais. Os exames são solicitados a fim de avaliar adversidades no uso dos medicamentos e titulação hormonal para controle, sendo repetidos no 3º, 6º, 12º meses e, posteriormente, anuais. A terapêutica consiste em administração de estrogênio, anti-androgênicos, associados ou não à progesterona. Os medicamentos disponíveis na APS, e com menores riscos, são: conjugado de Noretisterona com Estradiol 50mg + 5mg/ml injetável a cada 2 semanas e espironolactona 100-200mg/dia. CONCLUSÃO: no Brasil, ocorre uma centralização do cuidado transexualizador na atenção secundária e terciária. Nesse contexto, posterga-se o acesso dos pacientes transexuais ao serviço e, consequentemente, à hormonioterapia. Portanto, a disseminação do conhecimento, baseado em evidências, gera uma maior oferta da assistência a esta população, reduzindo o tempo para iniciar o tratamento.

Instituições
  • 1 Secretaria Municipal de Saude do Rio de Janeiro
Palavras-chave
QC24 Transgênero