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Validação da variabilidade da frequência cardíaca para acompanhamento de recuperação pós-cirúrgica em répteis

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Intervenções cirúrgicas em repteis tem sido mais recorrentes, seja para o uso clínico ou para seu uso como modelo animal. Os répteis encontram-se em posição tal que hipóteses evolutivas sobre padrões e funções nos vertebrados não podem ficar desfalcadas de informações desse grupo. Apesar de sua importância, ainda há uma carência de protocolos padronizados e informações, como tempo de indução anestésica, eficiência de analgésicos e antiinflamatórios, e tempo de recuperação pós-cirurgia. Tais pontos são de extrema relevância tanto para o uso desses animais em experimentação quanto para seu manejo. Utilizando da análise espectral de frequência, as alterações na variabilidade de frequência cardíaca (HRV) decorrentes do procedimento de anestesia e instrumentação em cascavéis, C. durissus, foram observadas para identificar se tal parâmetro pode ser utilizado como indicador de recuperação autonômica após instrumentação. Um telêmetro de biopotencial foi implantado em cada animal e permitiu o registro de eletrocardiograma em tempo real, sem a presença de fios ou interferências após instrumentação. Logo após finalização do procedimento cirúrgico, os animais demonstraram frequência cardíaca (fH) elevada (40 - 50 bpm). A fH é reduzida ao longo dos dias, atingindo o valor
estável entre 15-20bpm em cerca de 7 dias. Os valores de variabilidade total permanecem baixos nos primeiros dias, mas aumentam progressivamente até atingir um valor estável em torno do 10o dia após a instrumentação. Acreditamos que tanto a fH média, quanto a variabilidade total seriam bons indicadores de recuperação pós-anestesia e instrumentação. Contudo, tais variáveis devem ser observadas com cautela. É abundante na literatura relatos do uso de animais para protocolo dentro das primeiras 24h após a cirurgia. Tal escolha baseia-se na suposta estabilização de parâmetros cardiovasculares e respiratórios. Contudo, se a investigação necessitar de recuperação autonômica plena, a recuperação da HRV (e não a fH media) deve ser utilizada como índice de referência.