Termorregulação, efeito da sazonalidade e evolução da ecologia térmica em populações do complexo T. torquatus (sensu Rodrigues, 1987) em ambientes variados.
A escolha cuidadosa dos sítios para termorregulação, principalmente em lagartos heliotérmicos, é fundamental para que os animais mantenham suas temperaturas corpóreas dentro de limites que maximizem o desempenho e, em última instância, incrementem sua aptidão no ambiente. No entanto, características estruturais de hábitats específicos e o histórico climatológico das regiões podem influenciar sobremaneira o comportamento dos animais no campo e representar pressões seletivas importantes na co-evolução da termorregulação com sua fisiologia térmica. No cenário proposto, a ecologia térmica de populações pertencentes ao complexo T. torquatus (sensu Rodrigues, 1987) e que ocuparam independentemente as restingas litorâneas brasileiras a partir de populações saxícolas interioranas foi investigada de forma a elucidar as seguintes hipóteses: 1) as localidades amostradas diferem nas suas condições ambientais, mas em geral as restingas são hábitats que apresentam temperaturas mais elevadas do que áreas interioranas, potencialmente influenciando o padrão de termorregulação das populações; 2) a sazonalidade do clima adiciona variação nas respostas termorregulatórias, e no inverno os animais reduzem seu período de atividade e aumentam a eficiência de termorregulação; e 3) a variação na termorregulação, bem como nos parâmetros fisiológicos envolvidos, convergem entre grupos que ocupam hábitats similares do ponto de vista térmico, mesmo que não sejam filogeneticamente tão próximos a ponto de representar linhagens-irmãs. O total de oito localidades foram amostradas entre áreas de restinga e interioranas, sendo obtidas temperaturas operativas de campo por meio de modelos, temperaturas corpóreas de atividade no momento da captura dos indivíduos e temperaturas selecionadas em gradiente térmico, considerando-se a variação populacional e sazonal. Os dados foram analisados por método comparativo filogenético sendo possível afirmar que o padrão termorregulatório das linhagens estudadas varia com a sazonalidade do clima e revela convergência na seleção das temperaturas corpóreas em campo nas linhagens de restinga e sua co-evolução com parâmetros térmicos do hábitat e fisiologia térmica.