SERPENTES DO SUB-MÉDIO SÃO FRANCISCO E MICROREGIÃO DO VAZA-BARRIS, ATROPELADAS DURANTE A IMPLANTAÇÃO E PAVIMENTAÇÃO DA BR-235/BA, CAATINGA SEMIÁRIDA DA BAHIA
Rodovias que cruzam áreas naturais podem acarretar diversos efeitos negativos sobre a fauna local. O mais óbvio destes efeitos é a morte por atropelamento, principalmente nas populações de animais que utilizam áreas adjacentes às estradas, que enfrentam maiores riscos de mortalidade por colisões com veículos. As serpentes, são particularmente vulneráveis à mortalidade nas estradas devido à sua lenta locomoção, propensão a usar superfícies de estrada para aquecer-se, e por serem intencionalmente mortos por motoristas quando encontrados em estradas. Neste estudo relatamos a mortalidade de serpentes por atropelamentos na rodovia BR‑235/, localizada no norte-nordeste da Bahia, em área semiárida no bioma Caatinga. Para tal foram amostrados os 283 km compreendidos no projeto de implantação e pavimentação da rodovia, de março de 2015 a maio de 2016, totalizando 25.500 km percorridos. Neste período foram encontradas 170 serpentes atropeladas, pertencendo a 16 espécies e representando 33% da riqueza de serpentes registrada para região. Os atropelamentos foram mais representativos nas espécies diurnas e que apresentam grande mobilidade, aumentando em números nas épocas chuvosas. Embora a densidade populacional das espécies de serpentes atropeladas na área seja pouco conhecida, a taxa de atropelamentos apresenta-se relativamente baixa, se considerado a extensão da rodovia, bem como o total de quilômetros percorridos. Entretanto, como a rodovia está localizada em ponto estratégico, interligando regiões movimentadas, medidas que resultem em um decréscimo na mortalidade de serpentes, devem ser implementadas, pois em um futuro próximo o trafego local aumentará, acarretando em taxas de atropelamentos superiores às encontradas.