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Respostas fisiológicas pós-prandiais em sucuris-amarelas (Eunectes notaeus Cope, 1862) de vida livre

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Adaptações nos órgãos relacionados à digestão estão associadas com a frequência e tamanho das presas ingeridas pelas serpentes. Enquanto serpentes de forrageio frequente apresentam pequena ou nenhuma alteração morfofisiológica após predação, serpentes de forrageio infrequente, que capturam grandes presas, como grandes boídeos, apresentam pronunciadas alterações nos órgãos digestivos. Em laboratório, estas serpentes apresentam hipertrofia de 50-150% na massa de alguns órgãos, após predação. Nos Neotrópicos, a sucuri-amarela representa excelente modelo para investigar a modulação digestiva, porque apresenta grande amplitude de presas. Na Argentina, encontra-se sob manejo através do “Programa Curiyú”, que permite o acesso a grande número de indivíduos selvagens recém abatidos segundo os propósitos e protocolos do programa. Assim perguntamos: indivíduos selvagens de sucuri-amarela apresentam hipertrofia no estômago, fígado, rins e coração após ingestão de presa? Para tal, medimos a massa dos órgãos e dos indivíduos e os classificamos conforme a presença/ausência de presa no estômago e/ou intestino e conduzimos uma análise de regressão logística (GLM) com as variáveis sexo, presença/ausência de presa no tubo digestório, massa corpórea e dos órgãos. Não incluímos na análise o tamanho das presas devido à homogeneidade destas (pequenos roedores e aves). De 95 indivíduos, 66 continham presa(s) e foi registrada hipertrofia de 28% na massa do estômago (p=0,046) e de 57% na massa do fígado (p=0,0064), associada com a presença de presa no intestino. A massa dos rins e coração não esteve associada com a presença de presa no tubo digestivo (p>0,05). Desta forma, pela primeira vez, a hipertrofia pós-prandial de componentes viscerais foi observada em natureza. Investigações sobre hábitos alimentares de grandes constritoras mostram que essas frequentemente ingerem pequenas presas e sugerem que as pronunciadas alterações morfofisiológicas observadas em laboratório podem ser um artifício ocasionado pela oferta de grandes presas (superiores a 65% da massa do predador) após prolongado período de jejum.