60943
Favoritar este trabalho

O presente trabalho tem como objetivo registrar a oviposição por uma fêmea de Philodryas olfersii (Lichtenstein, 1823) (Serpentes, Colubridae) após 8 anos isolada em cativeiro. O indivíduo (No. CO0812) chegou ao NUROF-UFC (Núcleo Reg. de Ofiologia da UFC) em 2008, proveniente do município de São Gonçalo do Amarante, Ceará. Em 21/Mar/2016, a fêmea pôs 5 ovos, e em 23/Fev/2017 pôs outros 2 ovos. Todos apresentavam aspecto esbranquiçado e casca mole, provavelmente com calcificação incompleta, e sua fertilidade não foi verificada. Não houve êxito na tentativa de incubação dos ovos, devido a desidratação e surgimento de fungos. No ciclo reprodutivo de P. olfersii, a vitelogênese acontece de maio a janeiro, ovulação de setembro a janeiro e oviposição de novembro a janeiro, com ninhadas de 2 a 16 ovos. A espécie distribui-se por quase toda América do Sul, e as variações ambientais aliadas a disponibilidade de alimento e condições reprodutivas ideais podem influenciar na duração do ciclo reprodutivo entre as populações. Uma possível explicação para o ocorrido seria estocagem de esperma, estratégia conhecida em todos os répteis, sendo reportado estocagem por até cinco anos em uma cascavel. Assim, a hipótese de estocagem de esperma nesse indivíduo não pode ser descartada. Outra explicação possível seria partenogênese, que apesar de raro, já foi reportado para diversas espécies de répteis, incluindo serpentes. E por fim, considera-se a hipótese dos ovos não serem férteis, sendo apenas resultado do gatilho ambiental do período chuvoso. Porém, é curioso a oviposição ter ocorrido somente 8 anos após a chegada ao cativeiro, talvez o tempo necessário para o amadurecimento sexual do indivíduo ou para a adaptação ao ambiente de cativeiro, tornando-se apto a reprodução.