Morfometria geométrica como ferramenta para diferenciar filhotes da tartaruga marinha Caretta caretta (Linnaeus, 1758) (Cheloniidae, Testudines) dos estados da Bahia e do Espírito Santo
A espécie Caretta caretta ocorre amplamente no litoral brasileiro e sua população é dividida, de acordo com análises moleculares, em duas subpopulações: uma que se reproduz no Nordeste (Sergipe e Bahia) e outra no Sudeste (Espírito Santo e Rio de Janeiro). O objetivo do presente trabalho foi verificar se há diferença entre a carapaça e plastrão dos filhotes de C. caretta, amostrados nos estados da Bahia e do Espírito Santo através da análise de morfometria geométrica. Foram utilizados 204 filhotes natimortos, coletados em diversos ninhos ao longo da praia de Sítio do Conde, Conde, Bahia, e de Regência Augusta, Linhares, Espírito Santo. Para a análise morfométrica, cada animal teve a carapaça e o plastrão fotografados e os softwares TPSUtil, TPSDig2 e MorphoJ foram utilizados para a realização das análises pertinentes. A análise de componentes principais não apontou diferença entre a carapaça e plastrão dos animais das duas localidades, mas a análise de função discriminante sim. A diferença encontrada na carapaça dos animais se concentrou principalmente no primeiro par de placas laterais, com os indivíduos do ES tendendo ao achatamento quando comparado com os da BA. Já no plastrão, a maior variação ocorreu na região da placa femoral, mantendo-se a mesma tendência da carapaça. Os resultados encontrados através da análise de morfometria geométrica corroboraram outros trabalhos que também apontam que há subpopulações de tartaruga cabeçuda, que se reproduzem no litoral brasileiro. A morfometria geométrica se mostrou uma ferramenta promissora cuja análise pôde, conforme nosso estudo, corroborar a existência de duas subpopulações que ocorrem no litoral brasileiro.