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Modelagem de paleodistribuição, identificação de refúgios e projeções de distribuição potencial como abordagem integrativa na filogeografia de Tropidurus oreadicus (Squamata, Tropiduridae)

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O lagarto Tropidurus oreadicus tem uma histórica ecológica interessante relacionada às formações vegetacionais abertas, ocorrendo em áreas abertas do Cerrado e em enclaves de savana na floresta Amazônica. Nós utilizamos um conjunto de dados genéticos multilocos e modelagem de paleodistribuição baseada na projeção da distribuição atual para ambientes pretéritos e para o futuro usando onze métodos de modelagem de distribuição e cinco modelos acoplados de circulação atmosfera-oceânica. Foram obtidos 156 registros de ocorrência da espécie e as camadas de clima atual usadas na modelagem de distribuição de espécies foram representadas pelas condições pré-industriais derivadas das simulações de quatro modelos gerais de circulação oceano-atmosférica. Os mapas preditivos dos períodos do pretérito (21ky e 6ky BP) e presente foram combinados para gerar um mapa de refúgios históricos (i.e., ambientes estáveis ao longo do tempo). A modelagem de distribuição para T. oreadicus mostra uma ampla distribuição da espécie durante o Holoceno Médio, apresentando sutis diferenças quando comparada à distribuição atual, e salienta uma quebra na frequência de ocorrência que promove uma mancha quente isolada na região do estado de Rondônia. As linhagens genéticas encontradas para T. oreadicus se sobrepõem no espaço na região mais central do Cerrado, entre os limites dos estados de Goiás e Tocantins, alcançando porções ao oeste da Bahia e Minas Gerais – áreas que estão incluídas (ou muito próximas) nos grids do mapa de refúgio. Provavelmente essa região deve ter sido uma zona híbrida no passado para as populações da espécie, pois alguns agrupamentos filogenéticos se mostram como um arranjo incompleto de linhagens. Por fim, inferências sobre potenciais mudanças futuras (2080-2100) na distribuição geográfica da espécie são apresentadas, salientando que áreas expostas a estabilidades climáticas de longa duração (refúgios) tem um papel crítico em promover a persistência da biodiversidade, especialmente em períodos de mudanças climáticas globais ou regionais.