61478

Micobacteriose visceral em anfíbios no Nordeste brasileiro

Favoritar este trabalho

Alguns dos fatores mais importantes que afetaram o grupo dos anfíbios nas últimas três décadas foram as doenças emergentes. Ainda não sabemos o suficiente como elas afetam a saúde da fauna de anfíbios e seus impactos na conservação desse grupo na região Neotropical. O objetivo do presente estudo é relatar a ocorrência de micobacteriose (Mycobacterium spp.) em 16 espécimes de quatro espécies distintas de anuros das famílias Leptodactylidae (Leptodactylus vastus, L. macrosternum e Pseudopaludicula pocoto) e Bufonidae (Rhinella jimi) em quatro municípios no Sul do Estado do Ceará (Aiuaba, Barro, Crato e Farias Brito), Nordeste do Brasil. Durante a necropsia foi observado que os animais apresentavam hepatomegalia, hipertrofia hepática e granulomas caseosos hepáticos. Os tecidos com granulomas foram coletados e procedeu-se a extração de DNA, que foram submetidos à PCR para identificação. Foram utilizados primers que reconhecem a região 16S rRNA de Mycobacterium spp. para a realização da PCR. Todas as amostras foram positivas para esse micro-organismo. A posição taxonômica dessa população de Mycobaterium sp. ainda carece de maiores esclarecimentos. Das 10 espécies conhecidas infectando anfíbios, apenas quatro delas já foram registradas no Brasil. Esse é o segundo registro para L. vastus, primeiro registro para L. macrosternum, P. pocoto e R. jimi e o primeiro para o Estado do Ceará. Taxas de mortalidade são geralmente baixas em estudos com anfíbios de cativeiro, mas estudos mais atuais têm registrado micobacteriose como a principal causa de morte em algumas comunidades de anfíbios de vida livre