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HÁBITO ALIMENTAR DE SERPENTE NEOTROPICAL CHIRONIUS FLAVOLINEATUS (SERPENTES: COLUBRIDAE) NA RESERVA BIOLÓGICA GUARIBAS, ESTADO DA PARAÍBA, NORDESTE DO BRASIL

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O hábito alimentar das serpentes pode ser influenciado por vários fatores, tais como estratégias de forrageamento, disponibilidade local de presas, utilização de microhabitats, período de atividade, estágio do desenvolvimento ontogenético, filogenia, dentre outros. O presente estudo teve por objetivo investigar o hábito alimentar da serpente Chironius flavolineatus habitando a Reserva Biológica Guaribas, um fragmento de Floresta Atlântica localizado no litoral norte da Paraíba. Como as demais espécies do gênero, C. flavolineatus é semiarborícola, forrageadora ativa, alimenta-se principalmente de anuros e possui hábito diurno. A distribuição geográfica desta espécie abrange do Norte do Brasil ao Nordeste do Uruguai e a região central da Bolívia. Foram examinados os conteúdos estomacal e intestinal de 37 espécimes de C. flavolineatus (machos adultos: n= 23; fêmeas adultas: n= 11; e jovens: n= 3), coletados por meio de buscas ativas principalmente noturnas, no período de Janeiro/2016 a Abril/2017. Deste total, 70,3% (n= 26) delas continham presas no trato digestório e o restante (n= 11; 29,7%) não tinha presas. Foi registrado um total de 33 presas, sendo as mais frequentemente consumidas os anuros Pristimantis ramagii (n= 20; 60,6%) (Craugastoridae) e Physalaemus cuvieri (n= 8; 24,2%) (Leiuperinae); e as menos frequentes, Hypsiboas raniceps (Hylidae) (n= 1; 3%), Hylidae indeterminado (n= 1; 3%), Anura indeterminado (n=1; 3%) e lagartos (Squamata) (n= 2; 6,1%). A dieta de C. flavolineatus mostrou-se composta predominantemente por anfíbios anuros, com os lagartos figurando como presas ocasionais, à semelhança do que tem sido observado em outras populações dessa serpente e espécies cogenéricas. Os hábitos terrícola e arborícola de P. ramagii e terrícola de P. cuvieri parecem favorecer o consumo desses tipos de presas por C. flavolineatus. Além disso, os espécimes de P. ramagii mostraram-se bastante abundantes e ativos ao longo do dia no interior da mata, o que provavelmente os torna mais sujeitos à predação.