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Evento de isolamento geográfico em Glaucomastix aff. abaetensis (Squamata: Teiidae) no Nordeste do Brasil

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O lagarto Glaucomastix aff. abaetensis, espécie em descrição, está distribuído em áreas de restingas do litoral baiano e sergipano. No entanto, apresenta uma população disjunta na Serra de Itabaiana, Areia Branca–SE (cerca de 50 km do litoral), com divergência genética em relação às populações litorâneas de Sergipe. Diante desse contexto, buscou-se entender os possíveis fatores que levaram à diferenciação desta população disjunta. Foi realizado o método de Modelagem Preditiva de Distribuição de Espécies, a partir do modelo de adequabilidade de habitat (AH) para G. aff. abaetensis utilizando o método ENFA (Ecological Niche Factor Analysis). O modelo de AH foi baseado nos registros de ocorrência do lagarto e variáveis ambientais (altitude, precipitação e temperatura média anuais, solo e cobertura vegetal). Este modelo apontou áreas potenciais de ocorrência da espécie ao longo do litoral e no interior do estado de Sergipe. O método ENFA previu que a espécie alvo está restrita a uma faixa de condições específicas (altas temperaturas e precipitação). Após esta análise foram realizadas coletas nas áreas potenciais para comprovar a ocorrência da espécie e registrar aspectos ambientais, mas não houve registros em uma grande extensão (hiato de distribuição). A espécie tem distribuição geográfica associada a ambientes abertos com solos arenosos, vegetação arbustiva, com folhiço, onde predominam bromélias, palmeiras e cactáceas. Estes habitats não estão distribuídos de forma homogênea ao longo das áreas amostradas, como previu o modelo, razão pela qual a população disjunta se encontra isolada na Serra de Itabaiana. Sendo assim, a ausência desta estrutura é um dos fatores de isolamento e quebra de fluxo gênico entre as populações, uma vez que a estrutura ambiental da Serra de Itabaiana ainda apresenta semelhança com as áreas de restingas, indicando que houve conexão entre elas.