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ETNOESPÉCIES DA REGIÃO DE VIÇOSA, MINAS GERAIS, BRASIL, E SUA RELAÇÃO COM A PROBLEMÁTICA NA INDENTIFICAÇÃO DE ESPÉCIES

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Em estudos etnozoológicos, divergências entre as terminologias populares e acadêmicas são recorrentes. Diversas são as causas para tais ambiguidades etnotaxômicas, dentre elas, os erros de identificação, onde um animal é simplesmente confundido com outro. Frequentemente, espécies são confundidas, seja devido à aparência semelhante ou mesmo o uso de critérios equivocados de identificação. Durante todo ano, um significativo número de animais é doado ao serpentário do Museu de Zoologia João Moojen (MZUFV). No ato da entrega destes animais, o receptor preenche uma ficha de recepção de ofídios, aplicando um rápido questionário com informações de coleta do espécime, dentre elas qual é a denominação ou nome comum dado pelo coletor ao indivíduo coletado. Com o intuito de se saber quais etnoespécies eram mais frequentemente citadas por esses colaboradores, foram analisadas as fichas de recepção do serpentário do MZUFV entre os anos de 2009 a 2016. Foram levadas em consideração somente as fichas nas quais o campo relativo ao nome comum utilizado era preenchido. Observou-se que em sua maioria, os nomes utilizados para se referir aos espécimes eram de certa forma do senso comum. Porém, foram atribuídas, a uma parte considerável dos espécimes, nomenclaturas singulares. Como exemplo, indivíduos dos gêneros Sibynomorphus e Xenodon sendo referidos como “Jararacas” e “Jararacuçu” respectivamente, ou até mesmo como serpentes peçonhentas não pertencentes à ofidiofauna nacional. Como por exemplo, a utilização da etnoespécie “naja” também se referindo ao gênero Xenodon. Tais ambiguidades etnotaxonômicas são recorrentes devido a erros na identificação dessas serpentes. Essa divergência ou o desconhecimento taxonômico podem levar a morte indiscriminada desses animais e nos chama a atenção para a importância de trabalhos de educação ambiental visando auxiliar no reconhecimento das diferentes espécies de serpentes, bem como a conscientização para a importância do papel ecológico desses animais.