ESTUDO ETNOHERPETOLÓGICO: CONHECIMENTO E RELAÇÃO POPULAR SOBRE QUELÔNIOS E CROCODILIANOS NO ARQUIPÉLAGO DO MARAJÓ, PARÁ, BRASIL
A etnoherpetologia tem como finalidade registrar o conhecimento e a relação que uma
população de uma área possui sobre a herpetofauna local, como lendas, produção de
remédios caseiros, consumo, comercialização, conhecimento prévio e científico dos grupos
impostos, quelônios e crocodilianos. Buscando registrar os saberes populares em comunidades
do arquipélago do Marajó, norte do Brasil, aplicamos questionários semiestruturados
proporcionando uma melhor interação com o entrevistado. Para obtenção das respostas,
selecionamos 10 comunidades nos municípios de Soure, Salvaterra e Cachoeira do Ararí,
buscando sempre por pessoas com mais experiência em temáticas ecológicas. O questionário
era composto por 38 perguntas. Por residência levava em média 30 minutos para ser aplicado.
As perguntas foram elaboradas considerando o contexto onde as comunidades estão inseridas,
instigando mitos, lendas, crendices e outros saberes tradicionais. Nessa primeira fase do
trabalho entrevistamos 34 pessoas, definindo seu perfil socioeconômico como: maioria
homens, entre 21-30 anos, com baixa escolaridade (ensino fundamental incompleto),
exercendo a profissão de agricultor, com renda abaixo de um salário mínimo e recebedores de
algum auxílio governamental, tal como bolsa família, seguro defeso, etc. Nossos resultados
preliminares demonstram que as comunidades estabelecem uma relação moderadamente
sustentável com as espécies em questão, sem indícios de caça desenfreada, consumo eventual
de carnes e ovos e mínima produção de artigos culturais, com isso evidenciam um amplo
conhecimento na utilização de seus produtos derivados, tais como vasta produção de
remédios caseiros retirado de tartarugas marinhas, vasto conhecimento sobre as espécies mais
comuns, motivos de seu desaparecimento, e certo nível de conscientização. Sem contato
algum ao meio científico, as comunidades são capazes de opinar, discutir e defender suas
ideias, falhando no modo de defesa, pois eliminam espécies “mais selvagens” como proteção à
moradia. Com tudo, são capazes de retirar do meio ambiente apenas o necessário para sua
sobrevivência, de forma harmônica e sustentável.