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O declínio de anfíbios tem sido alvo de constante preocupação, visto que na maioria dos casos, é provocado pela ação antrópica. Mais de 90% das espécies de anuros comportam uma fase larval que se desenvolve em ambientes aquáticos. O rompimento da barragem da Mineradora Samarco, liberou toneladas de rejeito provenientes da mineração em região favoráveis a alta biodiversidade (bioma Mata Atlântica) afetando municípios nos estados do Espírito Santo e Minas Gerais, onde já foram catalogadas 22 e 58 espécies de anuros, respectivamente. O rompimento dessa barragem pode ter afetado uma boa parcela das espécies que se desenvolvem nos ambientes que foram contaminados pelo rejeito. Sendo assim, o objetivo desse trabalho foi realizar um levantamento acerca das espécies de anuros cujos girinos sobrevivem em locais afetados pelo rejeito de lama. Para tal, foram amostrados 12 corpos d’água no município de Mariana-MG (seis afetados pelo rejeito e seis sem rejeito) e 14 corpos d’água nos municípios de Colatina, Baixo Guandu e Linhares, ES (13 afetados pelo rejeito e um sem rejeito). Os pontos diretamente afetados pelo rejeito tiveram menor representatividade em número de espécies do que os demais. Nos pontos com rejeito foram contabilizadas nove espécies distribuídas entre as famílias Bufonidae, Hylidae e Leptodactylidae e nos pontos sem rejeito 18 espécies, distribuídas entre as famílias anteriormente citadas, com exceção da Bufonidae, além de Pipidae e Microhylidae. Dessas espécies, a Scinax fuscovarius, frequentemente associada a áreas antropizadas e a Elachistocleis cesari foram as mais frequentes dentre os pontos, sendo a primeira, encontrada inclusive nos corpos d’água afetados pelo rejeito. Esses resultados demonstram que girinos de algumas espécies podem ainda sobreviver em ambientes altamente impactados. Entretanto, ainda não se sabe da viabilidade destes girinos, se foram contaminados e o grau dessa contaminação.