DISTRIBUIÇÃO TEMPORAL DOS COROS DE ANFÍBIOS EM POÇAS NA SERRA DA PIEDADE
Os anfíbios dependem da comunicação acústica para reprodução, defesa de territórios e contra predadores, socialização, etc. Espécies simpátricas podem variar o padrão diário de atividade e as características espectrais de seus cantos. Em uma mesma área, os indivíduos se distribuem temporal e espectralmente, diminuindo a sobreposição dos cantos e estabelecendo um nicho acústico, o que proporciona melhor detecção dos sinais. O objetivo deste estudo foi analisar a partição de nicho acústico temporal por anfíbios na Serra da Piedade, Minas Gerais. Foram instalados dois sensores de monitoramento acústico passivo (SongMeter II, Wildlifeacoustics) distantes 100m um do outro, às margens de uma lagoa. Os SM gravaram sons a 44.1kHz, entre 18:00 e 00:00 horas, durante dois dias por mês quando maior número de espécies está em atividade reprodutiva (março, outubro e novembro de 2016). As análises das vocalizações foram realizadas no software Raven pro 1.5,Cornell, NY, seguindo as etapas: 1- busca visual e auditiva das vocalizações; 2 – seleção e registro das vocalizações na ordem em que apareciam a cada cinco minutos. Foram encontradas oito espécies vocalmente ativas: Boana faber; B. albopunctatus; B. lundii; B. polytaenius; Ololygon sp. ; Phyllomedusa burmeisteri; Physalaemus cuvieri e Rhinella ornata. O número de espécies vocalizando diminuiu ao longo da noite (r = - 0.0363; P < 0.05) e variou entre os meses (seis espécies em março, oito em outubro e sete em novembro). O maior número de espécies vocalizando foi observado às 20:00 horas em todos os meses. O mês de março apresentou um segundo pico às 22 horas. Em outubro, após o pico às 20 horas, o número de espécies permaneceu constante até a meia noite. Em novembro, foi observado um decréscimo após o horário de pico às 20 horas. Estes resultados evidenciam queas espécies se organizam no espaço acústico visando minimizar a interferência interespecífica