Distribuição de anfíbios anuros ao longo de um gradiente altitudinal na Reserva Particular do Patrimônio Natural Santuário do Caraça, Minas Gerais, Brasil.
Compreender a forma como os organismos estão distribuídos no planeta é imprescindível para seu manejo e conservação. Dentre os principais padrões biogeográficos, os gradientes latitudinal e altitudinal tem despertado grande interesse nas últimas décadas. No Brasil existem poucos estudos sobre padrão altitudinal de riqueza de espécies, apesar do país possuir extensas áreas montanhosas com muitas espécies exclusivas. Com o intuito de entender a distribuição das espécies de anfíbios anuros ao longo de um gradiente altitudinal na Reserva Particular do Patrimônio Natural Santuário do Caraça, Minas Gerais, realizou-se um estudo sistemático ao longo de 12 meses. Foram escolhidas duas áreas de altitude: Pico do Sol e Pico do Inficionado, ambos com altitude máxima acima de 2.000 m, representando os pontos mais altos da Cadeia do Espinhaço. Em cada uma destas áreas, foram estabelecidos quatro pontos amostrais a partir da cota de 1.300 m (Sol: 1.310 m, 1.670 m, 1.840 m e 1.930 m; Inficionado: 1.310 m, 1.670 m, 1.800 m e 2.065 m), sendo que a vegetação predominante são os campos rupestres. As amostragens foram realizadas no período noturno através da busca ativa delimitada por tempo (1 hora). Em cada ponto, foram contabilizadas as espécies de anuros observadas e/ou em atividade de vocalização. Ao longo dos 12 meses, foram registradas e coletados 13 espécies de anuros. O Pico do Sol abriga 12 espécies de anuros (41% exclusivas). O Pico do Inficionado apresenta oito espécies (12,5% exclusivas). Os dois picos compartilham 53,85% das espécies registradas. A maior riqueza de espécies foi observada nas cotas altitudinais de 1.840 m no Pico do Sol (n = 8) e de 1.670 m no Pico do Inficionado (n = 7). Bokermannohyla martinsi foi a espécie mais frequente e ocorreu ao longo de todo gradiente altitudinal, enquanto as demais espécies ocorreram apenas em determinadas cotas de altitude.