Desenvolvimento e Eversão do Hemipênis de Crotalus durissus (Squamata: Viperidae)
Dentre os amniotas, os órgãos copulatórios possuem extensa diversificação morfológica e um dos exemplos mais extremos acontece nos Squamata, que possuem hemipênis, órgãos copulatórios duplos e emparelhados que se estendem desde as margens laterais da cloaca. A grande maioria dos estudos de determinação e desenvolvimento sexuais em répteis têm sido realizados em espécies ovíparas, cuja determinação sexual depende da temperatura. Dessa forma, novos estudos devem ser estimulados para incluir espécies que exibem a determinação do sexo genético, bem como uma maior ênfase em espécies vivíparas, como a cascavel, os quais possibilitem monitorar o desenvolvimento total do embrião e do feto. Assim, o desenvolvimento dos órgãos copulatórios seria um dos critérios para avaliação sexual da fase embrionária e fetal das serpentes. Assim, este trabalho tem como objetivo acompanhar a origem e o desenvolvimento do hemipênis em Crotalus durissus, e para isso, utilizamos fetos do terceiro terço de gestação provenientes da coleção do Laboratório de Ecologia e Evolução. Os fetos foram estagiados, mensurados e fotografados. Os fetos de Crotalus durissus, nos estágios 35, 37 e 39-43, exibiram os órgãos copulatórios evertidos. No estágio 35 exibiu os tubérculos genitais, pareados em ambas laterais da base da cauda, caudal à cloaca e ainda não se apresentavam bilobados e em formato de “V”. A formação do hemipênis, bilobado e em formato de “V” foi manifestada no estágio 37. O surgimento das espículas ou espinhos foi evidenciado no estágio 39. No estágio 40, o feto exibia o hemipêns com uma base, cálice e espículas bem definidos. O sulco espemático foi evidenciado à partir do estágio 41. Desta maneira, evidenciamos que a partir do estágio (41-43) o hemipênis somente aumenta de tamanho e a sua eversão nos fetos pode ser um mecanismo natural, preparando o órgão para a eversão efetiva na fase adulta durante a cópula.