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Desempenho térmico de Micrablepharus atticolus (Squamata, Gymnophthalmidae) e a hipótese Centro-Periferia

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Face às mudanças ambientais no clima e uso da terra, populações naturais podem responder através de (1) tolerância devido à adaptação ou plasticidade fenotípica, (2) migração para áreas adequadas (conservadorismo de nicho) ou (3) extinção. Considerando que as condições ambientais são ótimas no centro da distribuição das espécies e mais hostis nos seus limites, a Hipótese Centro-Periferia postula que a variação genética e o desempenho demográfico diminuem do centro para a periferia. Nós comparamos o desempenho térmico de populações do lagarto Micrablepharus atticolus, endêmico do Cerrado, ao longo de um gradiente ambiental do centro de sua distribuição até o ecótono Cerrado-Amazônia. Nós produzimos curvas de desempenho térmico de quatro populações (Brasília, Nova Xavantina, Lagoa da Confusão, Gaúcha do Norte) e predissemos menor desempenho nas populações periféricas, devido às mudanças ambientais recentes e ao avanço da Amazônia sobre o Cerrado. As curvas de desempenho diferiram entre as localidades, independentemente do efeito do tamanho corporal. O desempenho térmico foi menor nas populações periféricas do que na população do centro da distribuição, mas a única diferença significativa foi entre Lagoa da Confusão e Brasília. A ausência de diferenças entre as outras populações periféricas e Brasília pode ser devida à adaptação local ou à plasticidade fenotípica. De uma maneira geral, os resultados corroboram as predições da Hipótese Centro-Periferia.