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Comparações morfológicas e bioacústicas entre espécies candidatas do gênero Ameerega Bauer, 1986 (Anura: Dendrobatidae: Colostethinae)

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Análise filogenética recente, que incluiu populações de Ameerega do centro-oeste de Mato Grosso, apontou a provável existência de duas espécies crípticas. Neste estudo, realizamos comparações morfológicas (coloração), morfométricas (comprimento: rostro-cloacal, cabeça, focinho, entre narinas, entre orbitais, olho-narina, tíbia, coxa, pé, antebraço, mão e dedo III; largura: cabeça, dedo IV, disco dedo IV e pálpebra superior; diâmetro: olho e tímpano) e bioacústicas (frequência dominante, duração do canto, cantos por minuto, número de pulsos) de espécimes oriundos de Tangará da Serra, Jauru, Vale de São Domingos e Vila Bela da Santíssima Trindade de Mato Grosso. Os dados obtidos foram comparados aos de espécies com maior proximidade genética e/ou morfológica: A. braccata, A. flavopicta e A. berohoka. Para distinção entre as características avaliadas, foi empregada análise de componentes principais (PCA). As PCAs obtidas não evidenciaram diferenças marcadas entre todas as populações avaliadas. Individualmente, contudo, as populações oriundas das quatro localidades mencionadas anteriormente distinguem-se de A. flavopicta pela presença de 1-3 pulsos no canto de anúncio (seis pulsos, em A. flavopicta) e pela ausência de manchas brilhantes nos braços e pernas. De A. braccata, distinguem-se pela ausência de manchas brilhantes no dorso. Indivíduos de Vila Bela da Santíssima Trindade distinguem-se dos de A. berohoka e demais localidades em Mato Grosso pela frequência dominante (3756,3±86,8 kHz), número de cantos/minuto (135,1±6,3 cantos/min) e duração do canto (0,09±0,006 s). Indivíduos de Tangará da Serra, Jauru e Vale de São Domingos distinguem-se dos de A. berohoka pela frequência dominante (4012,5±30,7 kHz), número de cantos/minuto (206,7±10,6 cantos/min) e duração do canto (0,055±0,004 s). Deste modo, os resultados apresentados corroboram os estudos genéticos e reforçam as evidências de que as populações de Vila Bela da Santíssima Trindade e de Tangará da Serra correspondem a duas espécies crípticas, ainda não descritas.