Atividade reprodutiva de fêmeas de Bothrops insularis em cativeiro
Bothrops insularis é uma serpente endêmica da Ilha da Queimada Grande, São Paulo, Brasil. A espécie encontra-se criticamente ameaçada de extinção e está incluída na lista vermelha da IUCN. O conhecimento do ciclo e das estratégias reprodutivas, assim como o manejo reprodutivo adequado são peças fundamentais para o delineamento de estratégias conservacionistas e para o desenvolvimento de programas de conservação ex situ, possibilitando o estabelecimento e a manutenção de populações ameaçadas em cativeiro. A fecundidade de B. insularis in situ é, em média, de 8,2 filhotes por ninhada, ao passo, que B. jararaca, apresenta uma média de 19,6 filhotes por ninhada. Ainda em relação à fecundidade, nota-se tanto para B. insularis quanto para B. jararaca, uma alta incidência de ovos atrésicos, estruturas ovais de consistência firme, com coloração âmbar, de diferentes tamanhos, variando de 5 a 25 mm. Este estudo acompanhou a atividade reprodutiva de doze fêmeas de B. insularis mantidas em cativeiro no Laboratório de Ecologia e Evolução do Instituto Butantan (SISBIO 25650-1). Os espécimes foram acompanhados por cinco anos, nos quais houve pareamento de casais no período de acasalamento da espécie (maio a agosto). Foram registradas 20 parturições, resultando em uma média de fecundidade de 8,8, incluindo ovos atrésicos (n=110) e filhotes (n=52). No entanto, se considerarmos apenas filhotes, a fecundidade média de B. insularis em cativeiro é de 6 filhotes por fêmea. Apenas as parturições ocorridas em fevereiro e março resultaram em filhotes viáveis. O tamanho das ninhadas não foi significativamente correlacionado com o CRC das fêmeas (r = 0,71; P = 0,18; n = 5). As fêmeas de B. insularis apresentaram ciclo reprodutivo sazonal e bastante semelhante ao ciclo dos indivíduos da natureza. Assim, as condições de cativeiro parecem não influenciar o tipo de ciclo reprodutivo feminino, o qual pode estar sob influência da inércia filogenética.