ASPECTOS EPIDEMIOLÓGICOS DOS ACIDENTES OFÍDICOS OCORRIDOS NO MUNICÍPIO DE VITÓRIA DA CONQUISTA, BAHIA, BRASIL
O presente trabalho apresenta o perfil epidemiológico dos acidentes ofídicos notificados junto à Secretaria de Saúde de Vitória da Conquista, Bahia entre 2007 a 2015. Foram analisadas 120 fichas de notificação de acidentes por animais peçonhentos. As maiores frequências de picadas de serpentes foram no ano de 2009 com registro de 29 casos, seguido por 2008 com 20 casos. Os números mais expressivos encontram-se nas faixas etárias de 15 e 49 anos (66%). Os gêneros Bothrops e Crotalus foram responsáveis por (64,2%) e (14,2%) dos acidentes, (1,2%) para as serpentes do gênero Lachesis e da família Elapidae, (20%) dos casos não foi possível à identificação da espécie. Indivíduos do sexo masculino (69%), etnia parda (48%), com grau de baixa escolaridade (47%), foram os mais atingidos. A maior incidência de picadas foi nos membros inferiores (73%). A maioria dos acidentes ocorreu na área rural (87%), em circunstâncias relacionadas a atividades laborais (58%). O tempo decorrido entre a picada e atendimento ao paciente foi de 3 horas (52%). Sintomas locais frequentes foram; dor (95,8%) e edema (93,3%). Dos acidentes, 31 foram classificados como leves, 12 graves e 74 moderados; soroterapia foi aplicada em 96,6% dos casos, sendo o soro antibotrópico (SAB) o mais utilizado (60,8%). A incidência de casos de ofidismo nesse período é baixíssima para o município. Diante do exposto percebe-se que o ofidismo constitui um problema de saúde ocupacional, uma vez que o seu incremento coincide com o deslocamento do trabalhador rural para as suas atividades no campo e salienta-se a importância do uso de EPIs. Existem ainda os casos em que não é possível a identificação da serpente envolvida no acidente, que também prejudica a utilização do soro adequado, tentando assim diminuir o desperdício de ampolas de antiveneno. Tornando-se importante o treinamento dos profissionais para lidar com o ofidismo.