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Área de Vida e Movimentação de Sucuri-amarela (Eunectes notaeus COPE 1862) no Pantanal

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Estudos sobre movimentação permitem entender o comportamento animal diante de necessidades básicas, tais como reprodução e forrageio. Os ambientes utilizados para esses fins são definidos como a área de vida de um organismo, e juntamente com padrões de movimentação, este atributo pode permitir avaliar o status de populações sujeitas à perda de hábitats e caça ilegal. Nesse sentido, o objetivo desse trabalho foi estudar o padrão de movimentação de sucuri-amarela (Eunectes notaeus), uma das maiores serpentes do Brasil, cuja história natural ainda é pouco conhecida. Estudamos 1) tamanho da área de vida e 2) a distância total e mensal percorrida por indivíduos de E. notaeus no Pantanal brasileiro, mais especificamente na Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) SESC Pantanal, localizada no município de Barão de Melgaço, estado de Mato Grosso. A procura pelas sucuris foi realizada por meio de busca ativa visual nos períodos diurno e noturno. Para os estudos de movimentação foram capturados oito indivíduos adultos (dois machos e seis fêmeas) para implante cirúrgico de rádios transmissores de VHF. Após a cirurgia, os animais foram soltos nos mesmos locais de captura e monitorados mensalmente entre novembro de 2015 e setembro de 2016. O tamanho da área de vida das sucuris variou de 0,03 ha a 16,36 ha. Houve sobreposição das áreas de vida dos indivíduos e indivíduos maiores apresentaram área de vida maior que indivíduos de menor tamanho. A movimentação total dos animais, em linha reta, variou de 121,96m a 4280,98m, com média mensal de 367,16m. Maior movimentação foi registrada no mês de agosto, durante o pico do período de seca na região. Os resultados desse estudo contribuem para o entendimento dos padrões de dispersão de grandes serpentes de hábitos aquáticos em áreas úmidas do Brasil central, além de esclarecerem aspectos poucos conhecidos da história natural de Eunectes notaeus.