Anurofauna em áreas de altitude no estado da Bahia
Os anfíbios são os vertebrados mais ameaçados do planeta, aproximadamente 100 espécies são consideradas extintas. Dos anuros conhecidos, 15% (1.039) ocorrem no Brasil, cuja taxa de endemismo é alta (65%), especialmente em áreas de altitude. Os primeiros registros de declínios de anfíbios no país são da década de 70, principalmente para Mata Atlântica, bioma com maior diversidade do grupo. Embora a maioria das espécies brasileiras não esteja na categoria “ameaçada”, grande parte enquadra-se em “dados insuficientes”. Portanto, inventários constituem uma importante ferramenta na tomada de decisões relacionadas à conservação dessas espécies, sendo relevante especialmente no interior do estado da Bahia, onde os trabalhos que visam conservação desse grupo ainda são escassos. Nesse sentido, coletas de anuros foram realizadas em cinco áreas de altitude, localizadas em seis municípios da Bahia (Serra da Jiboia – Santa Teresinha, Parque Municipal de Mucugê, Monumento Natural Cachoeira do Ferro Doido - Morro do Chapéu, Parque Nacional Chapada Diamantina – Lençóis/Andaraí e Reserva Biológica da Michelin – Igrapiúna), entre março/2016 e fevereiro/2017. A duração foi aproximadamente três dias por área (dois coletores), utilizando buscas ativas em sítios de vocalização. Registramos 163 espécimes, distribuídos em 42 espécies, 17 gêneros e seis famílias, dessas, 50% são Hylídeos e 24% Leptodactylídeos. Leptodactylus macrosternum foi mais abundante (8,5%), ocorrendo em 83% das amostras. Quanto ao habitat, 55% das espécies foram generalistas e 43% endêmicas, sendo a vegetação arbustiva o microhabitat mais utilizado (45%). Esses resultados representam aproximadamente 21% da riqueza de anuros da Bahia e 4% do Brasil, estando de acordo com a riqueza esperada para essas áreas. Entretanto, destacamos o registro de espécies endêmicas de regiões restritas, ambas descritas na última década: Haddadus aramunha e Proceratophrys redacta. A expressiva riqueza encontrada associada ao alto grau de endemismo indicam a importância de ações conservacionistas em áreas de altitude da Bahia.