60996

Anfíbios costeiros e insulares na APA Baía de Camamu, no Corredor Central da Mata Atlântica, Bahia, Brasil

Favoritar este trabalho

Entre as várias fitofisionomias da Mata Atlântica, as formações de planícies costeiras, comumente denominadas “restingas”, estão entre as mais devastadas e menos estudadas. Entretanto, ao menos 145 espécies de anfíbios, seis endêmicas, vivem nesses habitats. As ilhas continentais, também cobertas por essas formações, são ainda mais interessantes, vulneráveis e desconhecidas. No presente trabalho, realizamos o primeiro levantamento de anfíbios insulares e costeiros no sul da Bahia, tendo como áreas de estudo cinco ilhas na Baía de Camamu e o norte da Península de Maraú, no âmbito da APA estadual Baía de Camamu, ainda sem plano de manejo. Entre agosto de 2016 e março de 2017, executamos cinco campanhas, com duração de um a quatro dias, em cada área. Utilizamos os métodos de busca visual e auditiva e procura em sítio reprodutivo, durante o período crepuscular e noturno, para obter dados de riqueza e composição da anfibiofauna. Registramos 18 espécies na Península, 10 na Ilha Grande, seis na Ilha Pequena, duas na Ilha do Sapinho, uma na Ilha da Formiga e nenhuma na Ilha do Goió. A família Hylidae foi a mais representada em todas as áreas, seguida por Leptodactylidae. A espécie mais comum foi Leptodactylus latrans, presente no continente e em três ilhas, seguida por Dendropsophus minutus e Pristimantis paulodutrai, presentes no continente e em duas ilhas. Para investigar a relação entre riqueza de espécies e área total das ilhas, empregamos uma regressão linear utilizando o software Past 3.06. Para avaliar a suficiência da amostragem, produzimos curvas de rarefação e de estimadores de riqueza com o software EstimateS 9.1.0. Observamos uma forte relação linear entre riqueza e área (p < 0,05; r = 0,94; r² = 0,88). As curvas de rarefação da Península, Ilha Grande e Ilha Pequena aproximam-se da assíntota, mas alguns estimadores indicam a presença de mais espécies.