ANATOMIA COMPARADA DE MUSCULATURA CEFÁLICA DE REPRESENTANTES DE SCOLECOPHIDIA (SERPENTES:SQUAMATA)
Os estudos anatômicos de musculatura cefálica de Squamata fornecem uma expressiva quantidade de informações. Entretanto, hiatos consideráveis permanecem no conhecimento deste complexo morfológico em Serpentes, pois seus músculos possuem morfologia bastante modificada em relação ao padrão geral principalmente comparando com lagartos. Acredita-se que ocorreram diversas modificações entre a musculatura de Scolecophidia e Aletinophidia, sendo necessário o estabelecimento de homologias entre os músculos destes dois grupos e os lagartos. Assim, o presente estudo objetiva descrever e propor terminologia nomenclatural para musculatura cefálica de representantes de Scolecophidia comparando com outros Squamata. Os espécimes foram analisados por observação direta após retirada da pele e coloração da musculatura da região da cabeça. Foram analisados espécimes de Amerotyphlops brongersmianus, Siagonodon cupinensis e Liotyphlops beui, utilizados como base comparativa para o estabelecimento das homologias. As análises prévias revelaram existência de grupos musculares desempenhando papéis similares na adução mandibular das três famílias. Há um músculo ligando a região dorsolateral do parietal à mandíbula, no osso composto. Typhlopidae apresenta outros dois músculos localizados acima da porção anterior da glândula harderiana, ligando a região supraorbital à mandíbula. Além disso, os táxons apresentaram músculos (dois a quatro dependendo do táxon) recaindo sobre o quadrado, com fibras em sentido posteroanterior ao crânio. Em Typhlopidae, esses músculos se originam a partir de tecido conjuntivo localizado acima de outro músculo, sendo menos extensos que os existentes nos outros táxons analisados; todos os táxons apresentam músculo relacionado à glândula harderiana, geralmente muito extenso e com muitos feixes quando comparado aos demais, se estendendo por toda superfície da glândula e aparentemente auxiliando a contração desta. A inserção deste músculo não alcança a mandíbula, sugerindo que não está relacionado à adução mandibular; os feixes musculares em Typhlopidae possuem textura estriada, enquanto em Leptotyphlopidae e Anomalepididae são lisos.