A Importância Relativa dos Efeitos de Risco e de Consumo para a Força da Cascata Trófica
Um predador pode ter efeito letal em uma população de presas pelo consumo de seus indivíduos, causando uma redução no número de presas, porém existe também um efeito mediado pelo risco de predação, onde a presa, ao perceber o risco, pode mudar seu forrageamento, habitat e até mesmo características fenotípicas ao longo do tempo. Neste estudo observei o papel dos efeitos de risco e de consumo, através de um experimento manipulativo, entre o predador larva de Aeshna sp. e a presa girino de Rhinella schneideri e avaliei o efeito nas respostas de forrageamento, nível de atividade, preferência por habitat e mortalidade em aspectos comportamentais da presa para a força da cascata trófica. Utilizei 12 bandejas, cada uma com 10 girinos, sendo 4 para o tratamento controle, sem nenhum predador ou risco, 4 para o tratamento de risco, em que foi alojado 1 predador engaiolado em cada bandeja, e 4 para o tratamento predador livre, com 1 predador solto em cada bandeja. Todas as bandejas possuíam refúgio para as presas em uma extremidade e alimento na outra. O tratamento de risco apresentou uma alta taxa de atividade, baixa taxa de forrageamento e permanência no refúgio, e redução de 53% da população de presas no final do experimento, enquanto que o tratamento predador livre apresentou baixa atividade, alta taxa de forrageamento e permanência no refúgio, e redução de 43% da população de presas no final do experimento. De acordo com os resultados apresentados neste estudo eu pude concluir que o efeito de risco foi significativo para a cascata trófica, devido à alta mortalidade de indivíduos e mudanças no comportamento das presas mesmo na ausência de predadores livres.