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Análise de anomalias nucleares em anfíbios associados a áreas agrícolas: um estudo de caso com Hypsiboas pulchellus (Anura: Hylidae)

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O aumento no uso de agrotóxicos, substâncias genotóxicas com alta capacidade de dispersão, afetam vários organismos considerados como não alvo. Um efeito dessas substâncias é a formação de anomalias nucleares como micronúcleos e outras alterações celulares. O objetivo deste trabalho foi analisar a incidência de micronúcleos nos eritrócitos de anuros em áreas naturais associadas com o uso de defensivos agrícolas. A espécie modelo foi a perereca Hypsiboas pulchellus. Os indivíduos foram capturados em duas áreas de Mata Atlântica subtropical com diferentes históricos de uso de agroquímicos: uma com histórico de Baixo nível de Contaminação (BC), e outra com histórico de Alto nível de Contaminação (AC), nos municípios de Capela de Santana/RS e São Francisco e Paula/RS, respectivamente. Após a coleta, os indivíduos foram anestesiados para a coleta do sangue e confecção das lâminas histológicas (duas lâminas/indivíduo) com protocolo padrão de fixação e coloração. Para cada lâmina foram analisadas 1000 células. O número de anomalias (micronúcleos e má formações) foi estimado na forma de taxa (anomalias/total de lâminas). Foram analisadas 18 lâminas de indivíduos coletados em ambas áreas. A taxa de micronúcleos foi igual nas duas áreas (0,05±0,24). Contudo, as taxas de má formações foram maiores em BC, sendo elas (BC/AC): invaginações = 2,72(±2,6)/0,83 (±0,92); evaginações = 1,61 (±2,09)/0,55 (±1,04); lobados = 21,16 (±11,86)/4,38 (±3,31); forma de rim = 0,16(±0,38)/0. Nossa hipótese não foi corroborada, visto que a frequência de micronúcleos foi igual nas duas áreas (1:1). Desse modo, nossos resultados não nos permitem inferir sobre a existência de diferentes níveis de contaminação entre os pontos amostrados.