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A presença dos microplásticos (MPs) em todos os lugares é uma preocupação global crescente. Estudos recentes mostram sua presença no ar, na água, nos sedimentos e em diferentes matrizes do corpo humano. Os MPs tem tamanho inferior a 5 milímetros e podem ter se fragmentado de pedaços maiores através do intemperismo físicos, químicos e biológicos, como ação dos ventos, rios e ondas, chuvas, radiação UV e predação. Esse processo de fragmentação facilita o transporte e a sua dispersão em diferentes ecossistemas, tanto aquáticos quanto terrestres, pois quanto menor forem esses fragmentos de plásticos, mais leves eles se tornam, facilitando sua movimentação. Essas partículas podem ser classificadas de acordo com a sua morfologia, como por exemplo: fragmentos, fibras, filmes, microesferas, pellets, espumas e as linhas de pesca; por sua coloração e seu tamanho. Suas origens podem ser de itens plásticos maiores, como sacolas, garrafas, redes de pesca que sofreram degradação e fragmentação ou feitos intencionalmente pelas indústrias, com a fabricação dos pellets e das microesferas. Essas partículas possuem poros microscópicos em sua superfície, o que permite a adsorção de contaminantes químicos e microrganismos, como vírus, bactérias, metais pesados, substâncias orgânicas persistentes (POPs). Estes poluentes podem causar efeitos diretos nos organismos que os ingerem, podendo acarretar problemas no tecido e no crescimento, quanto nos consumidores finais, como nos peixes, sendo capaz até de facilitar a formação de doenças neurológicas degenerativas nos seres humanos. Apesar dos impactos que essas partículas plásticas trazem aos ambientes costeiros, ainda existe uma escassez de estudos envolvendo a coleta e caracterização desses pequenos fragmentos. No Rio de Janeiro e, especificamente, na Baía de Guanabara (BG), existe somente um trabalho publicado no banco de dados internacional de microplásticos do NCEI (National Centers for Environmental Information), site que fornece acesso de coletas globais. Com vistas a trazer a realidade da poluição na Baía de Guanabara para dentro do contexto internacional , o objetivo deste trabalho foi gerar um banco de dados com os resultados obtidos em nossas coletas e mapeá-los em relação à sua disposição na Baía de Guanabara. Além de prepará-los para a inclusão em banco de dados internacional de MPs do NCEI. Durante o projeto foram realizadas 12 campanhas ao longo de 12 meses durante a maré de sizígia, em 6 pontos na Baía. Os instrumentos utilizados nas coletas foram: uma rede de plâncton de 250 μm, fazendo um arrasto horizontal por 3-5 minutos nos 6 locais na BG pré definidos, um fluxômetro acoplado no arco da rede, na qual foi medido o volume amostrado, um anemômetro, utilizado para avaliar a intensidade do vento e temperatura do ar em cada ponto e um GPS, para obter as coordenadas de latitude e longitude. No laboratório, as amostras foram filtradas e passadas para placas de petris devidamente identificadas e levadas à estufa, durante 24 horas com temperatura de 60° C. Após a secagem, utilizamos uma lupa e câmera para registro dos MPs. Para a análise de tipo, coloração e tamanho foi usado o software Fiji. Ele fornece o tamanho e o RGB da cor e faz uma média das cores de uma determinada área fornecendo o código da sua coloração. Após a análise, os dados foram organizados inicialmente em planilhas no excel, contendo as informações das campanhas, datas, pontos, amostras, coordenadas (latitude e longitude inicial e final), dados do fluxômetro (com valores do fluxo amostrado), temperatura do ar e velocidade do vento. Após a caracterização dos microplásticos, uma segunda planilha é criada com dados organizados por campanha, data, ponto, amostra, tipo das partículas, tamanho, RGB, cor e disponível um link com a foto das partículas, contendo uma escala de tamanho. Como resultado da pesquisa foi possível conseguir parâmetros qualitativos e quantitativos para a formulação de um mapa com dados do número total de partículas por concentração [itens/m³] encontradas e quais tipos de microplásticos por ponto. A partir desses dados, foi criado um mapa georreferenciado e um gráfico usando o software ODV (World Ocean Data View). Dessa forma, podemos observar uma maior concentração de microplásticos nos pontos 3 e 5, correspondendo a campanha 2, com número total de 1.078 partículas, e uma menor concentração na campanha 6, com 83 partículas no total. Futuramente, com a finalização dos 12 meses de coletas pretendemos finalizar a adequação dos dados de acordo com os critérios solicitados para a inclusão no banco de dados público de microplástico da NCEI. Conclui-se então que a geração e disponibilização destes dados junto ao bancos de dados internacionais é de grande importância para atualizar as informações sobre os impactos e dispersão dos microplásticos em regiões costeiras brasileiras. Estas informações servem não só para informar a população local, mas também aos órgãos públicos sobre a poluição plástica, principalmente na fração micro, que ocorre na Baía de Guanabara, uma área importante ecologicamente, economicamente e um dos cartões-postais mais importantes do Estado do Rio de Janeiro.
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