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<p>Parágrafo um.</p>O índice Ki corresponde à relação molecular entre o silício e o alumínio presentes na fração argila dos solos, sendo amplamente utilizado para inferir o grau de intemperismo e a mineralogia dessa fração. Tradicionalmente, sua determinação é realizada por meio da solubilização da amostra com ácido sulfúrico (H₂SO₄ 1:1), possibilitando a avaliação da proporção de SiO₂ e Al₂O₃ a partir da terra fina seca ao ar (TFSA), embora os resultados se proponham a refletir as características da fração argila. Essa metodologia pressupõe a dissolução preferencial de minerais secundários, concentrados na fração argila, sendo, portanto, amplamente empregada em estudos pedológicos. A fusão alcalina, realizada com fundente em altas temperaturas, promove a completa dissolução dos principais silicatos, incluindo formas refratárias, sendo considerada uma técnica de digestão total. Assim, quando aplicada na fração argila, presume-se que o valor de Ki obtido seja semelhante ao obtido a partir do ataque sulfúrico na TFSA. Neste contexto, este estudo teve como objetivo comparar os valores do índice Ki em horizontes diagnósticos de Planossolos (n = 12 amostras), obtidos por meio de duas metodologias: o ataque sulfúrico (realizado na TFSA) e a fusão alcalina (realizada na fração argila < 0,002 mm). No ataque sulfúrico, os teores de Al foram determinados após digestão sulfúrica (H₂SO₄ 9 mol L⁻¹) e o teor de Si após digestão alcalina (NaOH 7,5 mol L⁻¹). Na fusão alcalina, a fração argila dos horizontes diagnósticos foi digerida após preparação com metaborato de lítio e aquecimento em mufla, seguida de digestão em ácido nítrico. Em ambos os métodos, os teores de Al e Si foram quantificados por Espectrometria de Emissão Óptica com Plasma Indutivamente Acoplado (ICP-OES). Os valores do índice Ki foram mais altos no ataque sulfúrico em relação aos obtidos pela fusão alcalina, indicando que nessa condição o método tradicional superestimou o Ki. A divergência entre os dados é evidenciada pela correlação moderada entre os resultados do Ki (r = 0,35). A correlação fraca e negativa entre os valores de SiO₂ obtidos pelo ataque sulfúrico e pela fusão alcalina (r = -0,26) sugere que a principal causa dessa divergência esteja associada à segunda fase do método de ataque sulfúrico, destinada à determinação da sílica. Por outro lado, a correlação forte e positiva entre os valores de Al₂O₃ (r = 0,84) indica um comportamento coerente na determinação do Al em ambos os métodos. Considerando que toda a sílica determinada na fusão alcalina representa exclusivamente a fração argila, uma possível explicação para a divergência observada está relacionada à dissolução de minerais presentes na fração silte, que podem acabar incorporando maior quantidade de sílica no ataque sulfúrico, possivelmente de minerais primários de fácil intemperização, elevando os valores de Ki. No entanto, são necessárias outras investigações para compreender as variações nos dados, considerando atributos químicos, granulometria e mineralogia dos solos, a fim de elucidar, de forma mais precisa, as causas dessas discrepâncias. Esses resultados demonstram a importância de considerar o aperfeiçoamento da metodologia analítica empregada na determinação do Ki, especialmente em estudos pedogenéticos, visto que diferentes técnicas podem conduzir a interpretações distintas sobre o grau de intemperismo e a mineralogia da fração argila.
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