VOCÊ JÁ COMEU UM BAGRADA?

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Resumo

O bioma Pantanal é reconhecido por apresentar uma rica diversidade de peixes. Dentre esses peixes, sempre são lembradas as espécies com alto valor comercial, como o pacu, o pintado e a piraputanga. Algumas dessas espécies encontram-se sob alta pressão de pesca. Pescadores profissionais, amadores e turistas muitas vezes tem que navegar por vários quilômetros até conseguirem capturar indivíduos do tamanho regulado por lei. Várias outras espécies que não apresentarem tanta dificuldade para captura são sub julgadas, o que as tornam pratos secundários no paladar da população. O bagre (Pimelodus maculatus), por exemplo, é um peixe que pode ser capturado sem muitos petrechos, somente anzol pequeno, linha fina com uma chumbada leve e uma minhoca ou massinha. Essa espécie habita tanto locais com águas correntes como em águas paradas, preferencialmente próximos a bancos de macrófitas aquáticas. Sua pesca ocorre principalmente deixando o anzol afundar até chegar próximo ao sedimento ribeirinho. A pesca desses indivíduos é rápida e bastante eficaz, podendo ser capturado vários exemplares em menos de uma hora. O objetivo deste trabalho foi destacar uma espécie considerada não-nobre como um potencial de venda em restaurantes e comércio local. Os dados para este trabalho têm como base a análise das fichas de Declaração de Pesca Individual (DPI) dos pescadores profissionais da colônia Z2, de Cáceres/MT, no ano de 2021 considerando a) uma espécie nobre e uma espécie não-nobre e b) peso (kg). Também foi realizada uma busca na internet, na plataforma Google utilizando as palavras “receitas com bagres”. Através da análise das fichas de DPI notou-se que a espécie considerada “nobre”, o pacu, e a espécie “não-nobre”, o bagre, apresentaram respectivamente uma biomassa total de 82.770,57 kg e 1.898,9 kg, revelando que apenas o pacu representou 97,75% da biomassa total de peixes capturados, enquanto o bagre correspondeu à apenas 2,25%, isso evidencia o baixo interesse dos pescadores na captura do bagre. Através da plataforma Google foram encontrados pratos com a espécie utilizada em molhos: o bagre ensopado, bagre com dendê, bagre no leite de coco, bagre assado e até moqueca de bagre. Regionalmente, essa espécie é conhecida por ser utilizada em comunidades tradicionais ou populações locais em um prato denominado “bagrada”, que nada mais é do que o bagre ensopado. Esta opção de prato regional é feita utilizando tomate, pimentão, cebola, coentro e limão. Embora seja um peixe com grande facilidade de captura e com alto potencial para o consumo humano, os restaurantes da cidade de Cáceres não apresentam em seu cardápio esta opção. Assim, este estudo demonstra a possibilidade de utilização de um recurso abundante na região como uma alternativa para a comercialização e até mesmo redução da sobrepesca de outras espécies com maior valor econômico, bem como a fundamental importância de se realizar um estudo do estoque pesqueiro dessas espécies e das suas contribuições na cadeia trófica.

Instituições
  • 1 Universidade do Estado de Mato Grosso
  • 2 Universidade Federal de Viçosa - Campus Florestal
Eixo Temático
  • 3 – Práticas coletivas para a gestão, conservação e governança da biodiversidade e da água
Palavras-chave
Pantanal
Potencial Piscoso
Recurso Ambiental
Gastronomia