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Na prática extrativista da Castanha-do-Pará para obtenção de suas amêndoas, cerca de 90 % do fruto (ouriço e tegumento) é descartado. Uma das alternativas de uso desses resíduos é a produção de energia. Neste sentido, o objetivo deste trabalho foi avaliar o potencial energético da biomassa e carvão vegetal de resíduos produzidos a partir da extração comercial das castanhas (amêndoas) de Bertholletia excelsa Bonpl. Foram avaliados o teor de umidade e a composição química imediata, segundo a norma D1762-84 (ASTM, 2013); o poder calorífico superior e o rendimento gravimétrico em carvão. O ouriço apresentou teor de umidade de 11,5%, teor de materiais voláteis de 76,6%, teor de cinzas de 0,53%, teor de carbono fixo de 22,9% e poder calorífico superior de 1934kcal/kg; quando carbonizado produziu 34,7% de carvão, com 18,3% de materiais voláteis, 2,57% de cinzas, 79,2% de carbono fixo e poder calorífico superior de 6495kcal/kg. O tegumento apresentou teor de umidade de 14,9%, teor de materiais voláteis de 67,8%, teor de cinzas de 1,83%, teor de carbono fixo de 30,4% e poder calorífico superior de 2537kcal/kg; quando carbonizado produziu 44,5% de carvão, com 17,7% de materiais voláteis, 5,24% de cinzas, 77% de carbono fixo e poder calorífico superior de 6322kcal/kg. O elevado teor de cinza do tegumento pode estar relacionado aos altos teores de constituintes minerais presentes na sua estrutura anatômica. Constatou-se que ambos os resíduos, ao serem carbonizados, possuem potencial para serem utilizados com fins energéticos.