USO DE CO2 PÓS-CURA TÉRMICA EM FIBROCIMENTO SEM AMIANTO
1. INTRODUÇÃO
Uma questão importante raramente considerada no debate ambiental sobre materiais à base de cimento é a reabsorção ou captação de dióxido de carbono (CO2) da atmosfera. Após a exposição ao ar ao longo do tempo, o cimento absorve CO2 atmosférico. Esse processo é denominado carbonatação e é uma propriedade intrínseca do concreto que tem como base cimento Portland.
A carbonatação é a reação dos produtos de hidratação do cimento com o CO2 que pode representar grande impacto sobre o crescimento sustentável da indústria da construção e no futuro pelo consumo de CO2 dos poluentes. Entre os produtos de hidratação da pasta de cimento, o que reage mais rapidamente é o hidróxido de cálcio [Ca(OH)2], resultando no carbonato de cálcio (CaCO3). Esse processo inicia-se na camada mais externa do compósito e move-se gradualmente para as camadas internas, através das fissuras e do sistema de poros permeáveis.
A carbonatação do concreto é um dos principais processos físico-químicos que pode limitar o tempo de vida de estruturas, principalmente do concreto armado, pois reduz a proteção das barras de aço e permite a corrosão. Porém, Tonoli et al. (2010) defendem que a carbonatação pode ser uma alternativa para aumentar a durabilidade das fibras naturais em matriz de cimento e melhorar as propriedades físicas e mecânicas.
Nesse contexto, o presente trabalho teve como objetivo o estudo de compósitos cimentícios reforçados com fibras celulósicas, submetidos a um processo de carbonatação acelerada, com ênfase nas características físicas.