Determinação da variação radial da massa específica básica de indivíduos jovens de Azadirachta indica.
DETERMINAÇÃO DA VARIAÇÃO RADIAL DA MASSA ESPECÍFICA BÁSICA DE INDIVÍDUOS JOVENS DE Azadirachta indica
Danilo Avancini Rodrigues, Mariana Santos Silva, Patrícia Aparecida Rigatto Castelo, Maysa Nery de Figueiredo
Universidade Federal de Mato Grosso, Campus Sinop
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1. INTRODUÇÃO
O Azadirachta indica conhecido popularmente como Nim indiano é uma espécie de múltiplos usos, originária da Índia com clima tropical, pertencente à família das Meliaceae. Normalmente apresenta fuste reto dotado de uma casca grossa e enrugada e diâmetro entre 25 e 30 cm aos oito anos de idade, é resistente a climas secos e é de crescimento rápido (ARAÚJO et al., 2000).
A correta utilização de um material está associada às suas características físico-mecânicas. A madeira não foge à regra, tornando-se importante o conhecimento de suas variações, a fim de se prognosticar seu comportamento em diferentes utilizações (PAES et al., 1995; LOPES, 2003; TRUGILHO et al., 2007). A massa específica é uma das propriedades que mais fornece informações sobre as características da madeira, por estar relacionada com sua resistência e rigidez. Apresenta-se em função da parede celular, dimensões, tipos de células e, em menor proporção, da qualidade de componentes extrativos presentes por unidade de volume (PANSHIN & DE ZEEUW, 1980; HAYGREEN & BOWYER, 1982).
A madeira do Nim tem a massa específica variando entre 0,56 a 0,85 g/cm3, estando a média em torno de 0,70 g/cm3, apresenta uma coloração avermelhada, dura e resistente ao ataque de cupins e ao apodrecimento. O cerne é muito rico em tanino e sais inorgânicos de cálcio, potássio e ferro (ARAÚJO et al., 2000). Embora seja fácil de serrar, trabalhar, polir e colar, a espécie requer cuidados na secagem porque geralmente se parte e empena.
Diante do objeto de pesquisa aqui delimitado, este presente trabalho tem por finalidade contribuir com conhecimento da variação radial da massa específica básica da madeira de Azadirachta indica.
2. MATERIAL E MÉTODOS
As amostras foram retiradas da Fazenda Videirense, BR 163, km 720, próximo do município de Sorriso-MT, nas coordenadas geográficas 12°32'43'' Lat. S, 55°42'41'' Long. W, a uma altitude média de 365 metros, onde a principal atividade é a agricultura.
As madeiras utilizadas para realização do presente estudo foram obtidas de árvores com 6 anos de idade, sendo selecionadas de modo aleatório, árvores de bom fuste, com grã reta e diâmetro à altura do peito (DAP) entre 28 - 37 cm. De cada uma foi extraído um disco de 7 cm de espessura no DAP. As amostras foram retiradas das seguintes posições: próximo à medula (MD), intermediária (CE) e próximo à casca (CC). A partir das amostras, confeccionou-se corpos-de-prova com dimensões de aproximadamente 2 x 2 x 3 cm de aresta, para o estudo da variação medula-casca da massa específica básica (ME).
Utilizou-se o método da balança hidrostática, conforme Foelkel et al. (1971), para a determinação da massa específica básica. Os corpos-de-prova foram saturados por um período de aproximadamente dois meses, para poder obter a massa úmida e imersa de cada corpo-de-prova. Posteriormente, os mesmos foram secos em estufa até atingirem o peso de massa seca constante a 105±3°C. A determinação da massa específica básica foi realizada no Laboratório de Biologia Vegetal na UFMT – Campus Sinop.
Foi utilizada a expressão:
MEb = Po / Vu (1)
Em que: MEb: massa específica básica, em g/cm3;
Po: peso seco em estufa (103ºC), em g;
Vu: volume saturado, em cm3.
3. RESULTADOS E DISCUSSÃO
Segundo Durlo (1991), a massa específica é uma das propriedades físicas mais importantes para a caracterização da madeira, pois se correlaciona estreitamente com as outras propriedades físicas e mecânicas deste material. A massa específica nada mais é do que a relação entre massa (m) e o volume (V) de um corpo, ou seja, quantidade de matéria lenhosa por unidade de volume e é normalmente expressa em g/cm³ (g.cm-³) ou kg/m³ (kg.m-³). Devido à carga genética das plantas, a madeira de cada espécie possui uma massa específica própria, existindo espécies com valores extremamente baixos até aquelas que apresentam valores considerados excepcionalmente elevados.
O valor médio da massa específica básica foi de 0,66 g/cm3 nas árvores analisadas, estando entre o intervalo encontrado por Neves & Nogueira (1996) apud Araújo et al. (2000) onde relata que a massa específica do Azadirachta indica encontra-se em média entre de 0,56 a 0,85 g/cm3. Já, Melo et al. (2006) encontrou em seu estudo média de 0,75 g/cm3 para árvore de Nim na cidade de Patos - PB.
De posse destes resultados e observando a literatura, é possível determinar que esta espécie, possui boa resistência mecânica, é mais elástica e dura que espécies de massa específica menores, porém, deve-se ter maior atenção a sua trabalhabilidade, pois madeiras mais densas apresentam maior variabilidade, impossibilitando-a para alguns usos, e sabe-se que outros fatores devem ser analisados para selecionar uma espécie para determinado fim, tais como a composição química, morfologia das fibras, variabilidade da madeira e práticas silviculturais.
4. CONCLUSÕES E PERSPECTIVAS
Com base nos resultados obtidos no estudo, é possível concluir que os valores obtidos de massa específica apresentam a mesma tendência do padrão geral, observados por espécies de reflorestamento, sendo uma importante fonte de informações sobre o comportamento da variação radial das propriedades em estudo, em condições de crescimento natural.
A massa específica básica da espécie estudada não apresentou variações significativas no sentido medula-casca.
Para estudos futuros, sugere-se novo estudo com povoamentos com árvores mais velhas a fim de avaliar a variação radial da massa específica.
5. BIBLIOGRAFIA
ARAÚJO, L.V.C.; RODRIGUEZ, L. C.E.; PAES, J.B. Características físico-químicas e energéticas da madeira de nim indiano. SCIENTIA FORESTALIS. n. 57, p. 153-159, jun. 2000.
DURLO, M.A. Tecnologia da madeira: peso específico. Universidade de Santa Maria, UFSM, CEPEF/FATEC, 1991. 29 p. (Série Técnica, 08).
FOELKEL, C.E.B.; BRASIL, M.A.M; BARRICHELO, L.E.G. Métodos para determinação da densidade básica de cavacos para coníferas e folhosas. IPEF, Piracicaba, n.2/3, p.65-74, 1971.
HAYGREEN, J.G.; BOWYER, J.L. Forest products and wood science: an introduction. Ames: Iowa State University, 1982. 459 p.
LOPES, M.C. Agrupamento de árvores matrizes de Eucalyptus grandis em função das variáveis dendrométricas e das características tecnológicas da madeira. 93 p. Dissertação (Mestrado em Engenharia Florestal) – Universidade Federal de Santa Maria, Santa Maria, RS, 2003.
MELO, R.R. et al. Estudo da Variação Radial da Densidade Básica de Sete Madeiras do Semi-árido. REVISTA CIENTÍFICA ELETRÔNICA DE ENGENHARIA FLORESTAL /FAEF. 2006.
PAES, J.B.; LIMA, C.R.; SILVA, J.M. Variação longitudinal e radial da densidade básica da madeira de algaroba (Prosopis juliflora D.C.). In: ENCONTRO BRASILEIRO EM MADEIRAS E EM ESTRUTURAS DE MADEIRA, 5., 1995, Belo Horizonte-MG. Belo Horizonte: IBRAMEM, 1995. P. 225-234.
PANSHIN, A.J.; DE ZEEUW, C. Text book of wood technology. 4 ed. New York: Mc Graw Hill, 1980. 722 p.
TRUGILHO, P.F.; BIANCHI, M.L.; ROSADO, S.C.S.; LIMA, J.T. Qualidade da madeira de clones de espécies e híbridos naturais de Eucalyptus. Scientia Forestalis, Piracicaba, n. 73, p. 55-62, 2007.