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DETERMINAÇÃO DA DENSIDADE BÁSICA DE Myracrodruon urundeuva

Humberto Fauller de Siqueira¹, Jéssica Thaís Cangussú, Guilherme, José Benedito Guimarães Junior, Carlos Rogério Andrade.
Universidade Federal de Goiás,
E-mail: ¹ fauller_humberto@hotmail.com

1. INTRODUÇÃO

Pertencente à família Anacardiaceae, a aroeira (Myracrodum urundeuva) é uma árvore que apresenta uma altura variável de 6-14 metros no Cerrado, com tronco de 50-80 cm de diâmetro, revestido por casca pardacento-acinzentada e áspera. Madeira muito pesada de grande resistência mecânica e praticamente imputrescível, alburno diferenciado do cerne e facilmente decomposto, (LORENZI, H. 2008). É devido a esses atributos que a espécie em questão apresenta importantes usos múltiplos como esteios e mourões, pelo caso de sua madeira proporcionar durabilidade prolongada.
De acordo com TRUGILHO, (2002), a densidade básica pode ser definida como a relação entre a massa seca e o seu volume verde, obtendo-se a menor densidade da madeira, pois utiliza a razão entre menor massa e o máximo volume.
Pesquisas e estudos sobre a densidade merece atenção especial em decorrência da sua íntima relação com importantes características tecnológicas e econômicas, tais como resistência mecânica, estabilidade dimensional, produção e qualidade da polpa celulósica e carvão vegetal, bem como os custos operacionais ligados ao transporte e armazenamento da madeira. (PEREIRA, 1982, citado por TRUGILHO, et al, 2002).
ALZATE, et al, (2005) afirma que a densidade básica da madeira é influenciado por fatores múltiplo externos (clima, tratos culturais, local de amostragem no tronco, taxa de crescimento) internos (espécies, dentro da mesma espécie, em uma mesma árvores, no sentido longitudinal e radial da madeira).
A densidade da madeira no sentido medula-casca aumenta, atingindo um valor após certo número de anos. Essa variação ocorre mesmo em madeira obtida de plantações ou de povoamentos naturais de angiospermas ou de gimnospermas. (DADSWELL, (1957). Em relação à variação longitudinal da densidade básica da madeira decresce uniformemente no sentido base-topo, a densidade decresce até meio do tronco e a partir deste ponto cresce até o topo. (ALZATE, et al, 2005).
Face ao exposto, objetiva-se determinar a densidade básica de Myracrodruon urundeuva, no sentido medula-casca e base-topo.

2. PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

Foram abatidas três árvores de Myracrodruon urundeuva, na cidade de Santa Luz-PI. Destas foram retirados discos a 0,25, 50, 75 e 100% da altura comercial. Posteriormente, estes foram cortados em cunha opostas, sendo retirados dois corpos-de-prova da região próxima a medula, dois da região intermediária e dois próximos a casca. Para os corpos-de-prova adquirirem o máximo volume permitido por sua estrutura, imergiram-se os mesmos em água destilada até completa saturação. Sua mensuração foi feita por meio do método de imersão em água..
Após a obtenção do volume, os corpos-de-prova foram levados para uma estufa à 105ºC±2 ºC até atingiram massa constante. Para determinação da densidade básica, procedeu-se a divisão entre a massa seca e volume saturado.
O delineamento utilizado foi o inteiramente casualizado, arranjado em fatorial. Para as posições longitudinais utilizou-se regressão, enquanto para análise das posições radiais utilizou-se o teste de médias de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

A partir dos resultados obtidos através das análises estatísticas, observou-se que não houve interação significativa nos tratamentos para as posições radiais e longitudinais. Na tabela 1 visualiza-se os valores de densidade básica para madeira de Myracrodruon urundeuva nestas posições, variando de 0,85; 0,86 e 0,87 g/cm3 na casca, centro e medula, respectivamente.
Tabela 1- Resultado do Teste de Regressão
Posição radial Densidade básica (g/cm³)
Casca 0,85 A
Centro 0,86 A
Medula 0,87 A
CV (%) 2,17

Na Figura 1 podemos observar os valores médios de densidade básica no sentido longitudinal para a espécie em estudo.

Figura 1 - Dispersão dos resultados em relação e linha de tendência.

É perceptível que a madeira de Myracrodruon urundeuva, em sua grande maioria, apresenta a mesma variação estatística de densidade básica tanto da base para topo, quanto da medula para a casca, sendo que na amostra a 0% apresentou um valor maior de densidade básica, que dependendo para o fim que for destinado a madeira, pode ser um fator positivo.
Segundo a classificação do IPT (1985) as madeiras são classificadas em três classes: as madeiras de baixa densidade com essa propriedade menor ou igual a 0,50 g/cm³, madeiras de densidade média, de 0,50 g/cm³ a 0,72 g/cm³ e madeiras densas acima de 0,72 g/cm³; portanto, observou-se que a espécie em estudo apresenta alta densidade básica. A madeira de Myracrodruon urundeuva apresenta densidade básica superior a de outras espécies de uso comercial no país.

4. CONCLUSÕES

Pode-se concluir que a madeira de Myracrodruon urundeuva apresenta alta densidade básica, empregando um valor intrínseco na comercialização e utilização desta madeira, podendo ser empregada para fins nobres.
A propriedade física densidade básica não foi significativa no sentido radial, enquanto no longitudinal há tendência de sua diminuição com aumento da altura.

5. BIBLIOGRAFIA

INSTITUTO DE PESQUISAS TECNOLÓGICAS – IPT. Madeira: o que é e como pode ser processada e utilizada. São Paulo: 1985. 189p.
LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificação e cultivo de arbóreas do Brasil. vol. 1. Nova Odessa, São Paulo, Instituto Plantarum, 2008.
ALZATE, A. B. S; et al. Variação longitudinal da densidade básica da madeira de clones de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden, E. saligna Sm. e E. grandis x urophylla. Scientia Forestalis. n. 68, p.87-95, ago. 2005.
ROLIM, B. M; FERREIRA, M. Variação da Densidade Básica da Madeira Produzida pela Araucaria angustifolia (Bert.) O. Kuntze em função dos anéis de crescimento. IPEF n.9, p.47-55, 1974.
BAGGIO, J. A. Aroeira como Potencial para usos múltiplos na propriedade rural. Boletim de Pesquisa Florestal, Colombo, n. 17, p.25-32, dez. 1988.
CARDOSO, N. S. Caracterização da estrutura anatômica da madeira, fenologia e relações com a atividade cambial de árvores de teca (Tectona grandis) – Verbenaceae. Piracicaba, 1991. 117p. Dissertação (Mestrado em Recursos Florestais). Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz. Universidade de São Paulo, Piracicaba.
LISBOA, C.D.J. Estudo das tensões de crescimento em toras de Eucalyptus grandis Hill ex Maiden. 1993. 298p. Tese (Doutorado em Engenharia Florestal) - Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 1993.
SOUZA, M.A.M. Deformação Residual Longitudinal (DRL) causada pelas tensões de crescimento em clones de híbridos de Eucalyptus. 2002. 72 p. Dissertação (Mestrado em Ciência e Tecnologia da Madeira) - Universidade Federal de Lavras, Lavras, 2002.
TRUGILHO, P.F.; LIMA, J.T.; PÁDUA, F.A.; SORAGI, L.C; ANDRADE, C.R. Deformação residual longitudinal (DRL) e tangencial (DRT) em seis clones de Eucalyptus spp. Cerne, Lavras, v.12, n.3, p.279-286, 2006.