CORRESPONDÊNCIA ENTRE AUMENTO DE INCIDÊNCIA DE DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS NO BRASIL E GRUPOS SOCIAIS ESPECÍFICOS
As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são agravos à saúde mais prevalentes mundialmente, sendo uma das 5 causas mais frequentes de busca dos serviços de saúde. Sua prevenção mais prática e eficiente é o uso de preservativos em todas as relações sexuais de qualquer espécie, mas infelizmente entre 2008 e 2013 houve uma redução de indivíduos que preencheram tal critério, conforme observado. O presente estudo objetiva elucidar comportamentos e grupos sociais específicos responsáveis por tal aumento, buscando dados que possibilitem traçar medidas preventivas e promocionais mais efetivas.
A pesquisa foi realizada pela análise dos dados secundários disponibilizados por artigos científicos e Pesquisas do Ministério da Saúde, como as PCAPs (2004, 2008 e 2013) e aquelas em bancos de dados eletrônicos (Medline/PubMed, Scielo e ScholarGoogle). Para a busca foram utilizados termos (nos idiomas português e inglês): “DST Brasil 2004”, “DST Brasil 2008”, “DST Brasil 2013”, “dados epidemiológicos DST Brasil” “uso de preservativos Brasil”, “epidemiologia das DST”, “fatores comportamentais uso de camisinha”, “políticas de saúde DST”, “prevalência HIV”. Realizou-se associação cruzada das informações disponibilizadas pelas referências, e a partir da complementaridade observada entre os autores obteve-se a relação traçada.
A pesquisa mostra com clareza uma diminuição brusca – 16,3 pontos percentuais – pelos grupos com menos de 9 anos completos de estudo e uma diminuição considerável no grupo de pessoas que tenham completado o ensino fundamental, demonstrando uma possível relação com a desinformação da população e “fator protetor” para DSTs relacionado aos anos de estudo. Ainda, a queda da taxa em indivíduos de idade mais avançada – 35 a 64 anos – foi, não só maior, como contraria a tendência do grupo mais jovem da população (15 a 21 anos), que mostrou, contrariamente, um aumento (de 2,1%) no uso de preservativos nas relações sexuais. Tratando-se do sexo, a taxa do grupo feminino demonstrou uma diminuição mais expressiva (3,3%) comparando-se ao sexo masculino (0,8%). São necessários mais estudos para elucidar os fatores comportamentais envolvidos com tais variações para cada grupo social específico.
Nesse estudo, os resultados encontrados configuram uma análise dos grupos sociais responsáveis pela diminuição do uso do preservativo na população geral pelos dados de domínio público. Os fatores comportamentais implicados na diminuição necessitam ser compreendidos, quando se analisa microscopicamente tais grupos, objetivando a obtenção de dados que possibilitem traçar medidas preventivas e promocionais mais efetivas. A discussão aberta desse tema é de sumo interesse científico e público, com benéficas consequências populacionais.