Dignidade Humana, Terminalidade da vida e Mistanásia sob o referencial da interseccionalidade

Vol 1, 2023 - 164497
Resumo
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Introdução: Este resumo apresenta os resultados de discussões relacionadas aos atravessamentos decoloniais e interseccionais no campo dos cuidados de fim de vida, a conceituação de cuidado paliativo como modelo de cuidado holístico e humanizado para, posteriormente, abordar aspectos relacionados à mistanásia, a morte por abandono ou negligência. Utilizando do conceito de interseccionalidade como dispositivo de problematização do tema, discute-se as interlocuções entre elementos de subordinação tais como racismo, sexismo e patriarcalismo, e desigualdade e seus impactos na produção de relações sociais de exclusão e marginalização, e ainda maior vulnerabilidade em relação a dignidade da morte. Objetivo: ampliar a discussão sobre cuidados paliativos, a qualidade dos cuidados de fim de vida ofertados atualmente e os atravessamentos dos marcadores sociais da diferença neste contexto, com enfoque bioético e em Direitos Humanos. Método: estudo de natureza exploratória utilizando-se do procedimento de pesquisa bibliográfica sobre o tema a partir de base de dados. Resultados e Discussão: A discussão sobre os atravessamentos decoloniais e interseccionais que envolvem os processos de subjetivação no mundo contemporâneo abriu caminho para problematizações e aproximações destes temas com as práticas profissionais na área da saúde, em particular, as relacionadas aos desafios teórico-práticos do trabalho profissional no contexto hospitalar no Sistema Único de Saúde (SUS) e na problematização de alguns atravessamentos visíveis e invisíveis que compõem esse percurso, principalmente, os relacionados ao conceito de mistanásia, um neologismo que em sua etimologia significaria morte infeliz, e que corresponde a experiências mais amplas do que apenas a questão biológica, incluindo o desamparo social e o abandono como fatores analisadores. Considerações finais: Ao longo deste trabalho percorremos uma trajetória discursiva que se inicia trabalhando a conceituação moderna de cuidados paliativos e seu principal modelo de cuidado, se consolidando como um formato ampliado de compreensão e cuidado digno da finitude da vida. No entanto, é perceptível que a realidade brasileira ainda caminha rumo a propagação e consolidação de tais práticas. Utililizou-se do conceito de interseccionalidade como possibilidade de abertura às diferentes linhas e fluxos que correspondem a uma nova forma de oferecer escuta às opressões e vulnerabilidades que se entrelaçam e para suas consequências. Neste sentido, ampliar o repertório para o cuidado da vida e da morte em uma perspectiva digna e não totalizadora, mas sensível às realidades sociais torna-se imprescindível.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual Paulista " Júlio de Mesquita Filho", Instituto de Biociências de Botucatu (IBB), Departamento de Ciências Humanas e Ciências da Nutrição e Alimentação
  • 2 Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”
Eixo Temático
  • 5. Bioética, pluralismo e interseccionalidade
Palavras-chave
Bioética e Direitos Humanos; Mistanásia; Terminalidade da vida; Bioética e Interseccionalidade; Cuidados Paliativos