DESENVOLVIMENTO DE COMPETÊNCIAS ÉTICAS NO CURSO DE MEDICINA – UMA EXPERIÊNCIA PEDAGÓGICA

Vol 1, 2023 - 165031
Resumo
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Introdução: O modelo tecnicista pautado numa formação essencialmente centrada na competência técnica-científica em detrimento do desenvolvimento de competências éticas e relacionais no curso de medicina, ainda que tenha havido esforços de incluir temas humanísticos no currículo nas últimas décadas, não têm sido suficientes para promover um processo de ensino-aprendizagem que impeça a corrosão ética dos estudantes durante a graduação. O ensino de Bioética busca: a) apresentar e engajar os estudantes para aderirem às virtudes morais da profissão; b) promover o desenvolvimento da sensibilidade moral para que os estudantes sejam capazes de “interpretar uma situação como moral” e reconhecer conflitos éticos na prática profissional; c) compreender a complexidade e conteúdo moral da tomada de decisão clínica, valendo-se dos princípios, valores e normativas que regem a profissão; e, d) se relacionar intersubjetivamente nas atividades profissionais, interpretar mensagens e comportamentos verbais e não-verbais. Objetivos: 1) Analisar as abordagens, conteúdos e estratégias pedagógicas das disciplinas de Bioética em relação ao desenvolvimento moral e a formação da identidade profissional do estudante de medicina. 2) Identificar lacunas nas abordagens adotadas nas disciplinas de Bioética frente ao processo de socialização médica e de desenvolvimento de competências éticas. Método: A abordagem qualitativa (narrativa autobiográfica) e estudo de caso. Resultados e Discussão: A “pedagogia do desconforto” ou a “problematização” proposta por P. Freire mostraram-se adequadas por estimularem os estudantes a uma indagação crítica dos pressupostos e os valores pelos quais percebem a si mesmos e aos demais. Oferecemos espaços reflexivos, onde possam identificar e regular as emoções, fazer uso dos fundamentos teóricos da bioética para aplicar na prática clínica (exemplos: a ponderação e hierarquização dos princípios bioéticos; a definição de critérios de alocação de recursos escassos para priorizar e promover equidade), e também desenvolver a atenção para identificar a manifestação do currículo oculto. A ética do cuidado deveria ser o eixo das intervenções educacionais da graduação em medicina, visto que inclui dimensões fundamentais tanto para o desenvolvimento moral do estudante quanto para que o cuidado efetivamente ocorra – a inclusão das emoções e das relações intersubjetivas na prática clínica; a receptividade aos pacientes (cultivo da compaixão), a centralidade da noção de responsabilidade e a criação de um ambiente educacional que estimule a produção de cuidado. A profissionalização em medicina desencadeia mudanças na construção da identidade, portanto, no âmbito da subjetividade dos estudantes, podendo resultar deterioração dos valores morais primários em razão de uma complexa combinação de fatores: a tensão permanente entre o processos de objetificação dos pacientes e de supressão dos aspectos subjetivos da prática clínica, a dificuldade de incorporar definitivamente práticas reflexivas nas instituições médicas e a força (potência) do currículo oculto na (de)formação dos comportamentos e modos de se relacionar na prática profissional. Considerações Finais: A combinação de conteúdos e estratégias pedagógicas diversificados, que visem prevenir a corrosão dos valores éticos e expandir em direção à construção da personalidade ética constituem um terreno fértil e profícuo para a maturação ética e o desenvolvimento da identidade profissional.

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Instituições
  • 1 Universidade Estadual de Campinas
  • 2 Departamento de Saúde Coletiva / Faculdade de Ciências Médicas / Universidade Estadual de Campinas
Eixo Temático
  • 2. Bioética e educação
Palavras-chave
bioética; educação médica; Competência Moral; Metodologias ativas