Resíduos sólidos nas ocupações urbanas autoconstruídas: aproximações entre práticas cotidianas e os princípios da sustentabilidade sociocultural

Vol. 1, 2019. - 112371
Apresentação Oral
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Resumo

Quando se fala em vilas, favelas e ocupações urbanas autoconstruídas pensa-se exclusivamente na precariedade e na insalubridade desses territórios, dada a insuficiência de infra-estrutura e estrutura construtiva e urbana. Em resposta a tantos problemas, se abrem, via de regra, políticas urbanas e habitacionais baseadas em remoção de moradores e/ou higienização do território, desconsiderando totalmente as singularidades dos modos de vida existentes e as construções autoconstruídas. Visando outra direção, propõem-se que os paradigmas que definem o que seja um problema espacial e uma solução adequada sejam complexificados, e que a qualificação das perguntas e afirmações seja feita no encontro dos pesquisadores e técnicos com o território, buscando evidenciar as soluções que já estão sendo engendradas pelos moradores na sua vivência cotidiana . Aposta-se que tal deslocamento possa positivar práticas já em curso, e ativar novos procedimentos e articulações na construção de outros paradigmas para futuras avaliações e intervenções nos territórios informais. Diante desse princípio, este artigo tem como objetivo a discussão sobre aproximações possíveis entre a prática de coleta de resíduos sólidos da construção civil - janelas, portas, vasos sanitários, peças de granito, etc- e sua utilização na construção das moradias em ocupações urbanas autoconstruídas, e os preceitos relativos à sustentabilidade socioambiental (HAWKS, 2019), tecnologia social (DAGNINO, 2010) e à economia solidária (SINGER, 2002). Para fomentar essa discussão, vamos relatar três ações extensionistas, realizadas a partir da parceria entre um grupo de pesquisa da universidade, um movimento de luta por moradia e uma empresa privada vizinha às ocupações urbanas organizadas pelo movimento, que agregaram possibilidades de efetivação real das intervenções acordadas. Em todas essas intervenções houve a incorporação das estratégias em ação no território identificadas por meio de mapeamentos coletivos, fossem elas relacionadas ao uso cotidiano do território (DE CERTEAU, 1994) -encontros casuais, lazeres cotidianos ou festas comemorativas, às soluções construtivas praticadas (reaproveitamento de materiais descartados, uso de assemblagens diversas, inclusive nas conexões, etc) e/ou aos arranjos econômicos recorrentes ali (POLANYI, 2000), -rede de troca de materiais por materiais, de materiais por serviços, de serviços por serviços, etc. Trata-se, entretanto, de um processo longo, não linear, com muitos encontros e alguns desencontros, inclusive no que diz respeito ao reconhecimento dessas práticas como um campo de saber legítimo a ser potencializado e, ao mesmo tempo, a construção de uma assessoria técnica não assistencialista e não condescendente (FREIRE, 1996). Outro desafio enfrentado se refere à conjugação entre uma responsabilidade social empresarial não paternalista -inclusive com aporte de recursos financeiros e humanos, e a afirmação da importância das políticas públicas promovidas pelo Estado (COSTA, 2013).

Instituições
  • 1 Universidade Federal de Minas Gerais
Eixo Temático
  • Tecnologias e sustentabilidade na produção da cidade sul-americana contemporânea
Palavras-chave
Resíduos sólidos
Ocupações Urbanas
sustentabilidade socioambiental